Desafio verbal
Ingredientes: muitos erros, bastantes dúvidas e uma mão-cheia de reflexões. Juntam-se esclarecimentos, correcções e sugestões em quantidade generosa. Tudo polvilhado com bom humor. Porque queremos partilhar a nossa maneira de saborear a língua!
Por
S. Leite
às
14:16
8
comentários
Por
S. Leite
às
18:14
0
comentários
Palavras-chave: divagações , palavras
Por
S. Leite
às
11:04
10
comentários
Palavras-chave: concordância , construção frásica , desafio
Por
S. Leite
às
13:36
1
comentários
Ontem fiquei levemente chocada ao deparar com um erro de ortografia nesta frase, que li na Infopédia, da Porto Editora:
"A Organização de Libertação da Palestina (OLP) reinvindica também um espaço político e nacional para os Árabes da região, secundarizados e vítimas de certa repressão e indiferença hebraica."
Consultei de imediato o respectivo dicionário de língua portuguesa e verifiquei que apresenta a palavra em causa devidamente grafada. Depois, procurei na página um cantinho onde fosse oferecida aos leitores a oportunidade de enviarem comentários e sugestões (que existe no Priberam) e inicialmente não encontrei nenhuma indicação que me permitisse enviar para a equipa a chamada de atenção. Mais tarde descobri: basta clicar em "Centro de contacto", na página principal. Vou enviar à Infopédia uma mensagem!
Por enquanto, a gralha lá continua, indiferente. Pode ser uma falha tipográfica involuntária, mas não deixa de ser grave, considerando que se trata de uma enciclopédia divulgada no mundo inteiro!
Conseguem identificá-la?
Por
S. Leite
às
13:22
14
comentários
Palavras-chave: desafio , ortografia
Por
S. Leite
às
19:30
5
comentários
Palavras-chave: divagações , palavras
Por
S. Leite
às
10:35
4
comentários
Palavras-chave: masculino ou feminino? , ortografia , palavras
Por
S. Leite
às
10:04
5
comentários
Palavras-chave: Acordo Ortográfico , ortografia
Por
S. Leite
às
11:45
8
comentários
Palavras-chave: desafio , ortografia
Por
S. Leite
às
11:51
0
comentários
Palavras-chave: concordância , construção frásica
Se é verdade que as redundâncias saltam mais à vista (há dias um candidato a uma junta de freguesia prometia "enfrentar os problemas de frente"), não é menos certo que os contra-sensos são de evitar.
As pessoas que se despedem com "beijinhos grandes", por exemplo, ainda não devem ter reparado que assim se denunciam como mentes contraditórias, o que naturalmente não abona em seu favor.
Devo dizer, porém, que a interjeição de despedida que se criou recentemente na nossa língua, "beijinhos!", é bastante afectuosa e original. Para além disso, dizer a palavra "beijos" é uma forma forma bastante prática e indubitavelmente mais higiénica de substituir o acto de beijar outra pessoa na face (podíamos até passar a dizer "beijos" também quando nos encontramos!). Finalmente, é uma forma eufemística de pormos fim à conversa sem mandarmos a outra pessoa para o Além, com o terminal "adeus", e também sem nos comprometermos ao reencontro, através de um "até logo" ou de um "até amanhã" que poderia, em muitos casos, revelar-se inconveniente, ou dar azo a mais dez minutos de diálogo.
Os beijinhos são simpáticos e educados qb, embora tenham o inconveniente de serem desaconselhados para o uso estritamente masculino, a menos que a relação entre os intervenientes dite o contrário.
Estou em crer que a despedida dos "beijinhos" terá surgido nos contextos em que as pessoas comunicavam sem se verem, como por exemplo ao telefone, e assim começaram a pronunciar o nome que se tornou interjeição. Daí até se ter instalado no nosso léxico como uma das palavras que mais vezes pronunciamos ao longo do dia (nós, mulheres, está claro), em paralelo com "não" e "aaah..." foi um instantinho.
Logo surgiram as variantes, como os "beijos" (para uma despedida mais formal), o "beijo" (mais sedutor), os "beijinhos grandes" (das tias?) os "jinhos", as "beijokas" e as "jokas" (para a malta jovem), os "beijos, queijos e alfaces fresquinhas" (para amigos com mais tempo e criatividade) e outras versões mais económicas, como "bjks" e "bjs", para mensagens de correio electrónico e telemóvel.
Parece-me que, perante uma fórmula de despedida tão agradável, eficaz e versátil, mas que infelizmente fica melhor às mulheres, os homens precisam urgentemente de encontrar algo semelhante, para poderem beneficiar das mesmas vantagens nas despedidas verbais. Permitam-me, leitores, que vos deixe as seguintes sugestões: "aperto-de-mão", "toque-no-ombro" e "palmadinha". Que tal?
Por
S. Leite
às
13:24
6
comentários
Palavras-chave: divagações , palavras
Por
S. Leite
às
19:27
4
comentários
Palavras-chave: hífen , ortografia
Por
S. Leite
às
16:25
2
comentários
Palavras-chave: concordância , construção frásica
Por
S. Leite
às
13:22
7
comentários
Palavras-chave: construção frásica , desafio , verbos
Por
S. Leite
às
15:05
6
comentários
Palavras-chave: divagações
Mais uma vez, a foto não serve para criticar gratuitamente os outros, mas apenas de pretexto para esclarecer quem queira ser esclarecido sobre aspectos relacionados com o uso da língua - neste caso, com a acentuação e a pontuação.
Por
S. Leite
às
10:08
2
comentários
Palavras-chave: ortografia , pontuação
Qual será a construção correcta deste provérbio português tão conhecido?
«A verdade e o azeite vêm sempre ao de cima»
ou
«A verdade e o azeite vêm sempre ao de cimo»?
Ao de cima é uma locução adverbial que significa «à superfície». Cimo é um nome masculino que designa a parte mais elevada de alguma coisa. Seria correcto utilizar a expressão «ao cimo», mas não “ao de cimo”!
Por conseguinte, a construção correcta é «a verdade e o azeite vêm sempre ao de cima».
Azeite, de cima; mel, do fundo; e vinho, do meio!
Por
S. Duarte
às
09:51
5
comentários
Palavras-chave: palavras
Por
S. Leite
às
14:37
3
comentários
Palavras-chave: estrangeirismos , ortografia , pronúncia
Áureo é «de ouro banhado»,
Aura é «sopro, emanação».
Portanto, áureo é dourado
E a aura etéreo clarão.
Mas, se o teu cabelo é louro
fico na dúvida, Laura!
Pois aúreo parece de ouro...
E se for dourada a aura?
Então, vamos lá ver:
se estou apaixonado
e é áureo o teu cabelo,
como é que devo dizer:
tens uma áurea de encanto
- ou no termo estarei enganado?
Por
S. Leite
às
15:55
1
comentários
Palavras-chave: divagações , palavras , parónimos
No primeiro comentário ao texto anterior, um(a) leitor(a) sugere que determinada estrutura gramatical está incorrecta «porque soa mal». Esta é uma explicação simples e aparentemente eficaz, usada sobretudo por todos os que não dominam (nem têm de dominar!) a terminologia necessária para se aventurarem em explicações técnicas. Isto não é, portanto, uma crítica, nem faria sentido que o fosse. Também os linguistas, aliás, são apanhados a tentar decidir como se deve dizer uma expressão de acordo com o critério da boa ou má "sonoridade".
Ao longo da vida, mas de forma mais notória durante os anos da infância em que adquirimos o idioma materno, vamos seleccionando e guardando na memória as combinações e flexões que "soam bem" (porque são as que ouvimos mais) e descartando aquelas que, embora pudéssemos ter usado inicialmente, se revelam inadequadas, porque não encontram eco e por vezes são até apontadas como erradas "porque soam mal". E assim as crianças deixam de dizer "fazi" e "escrevido" para passarem a dizer fiz e escrito, esquecem-se dos "balãos" e das "cavalas" e registam balões e éguas.
Porém... a língua reserva-nos muitas surpresas, mesmo quando já somos adultos e julgamos saber tudo o que é preciso para falar correctamente. Se estivermos atentos e abertos, a revelação, para alguns interessante, para outros incómoda, é inevitável: nem tudo o que soa bem porque se ouve muito (pelo menos em certos meios) é necessariamente correcto. E vão-se acumulando os exemplos...
Ora, façam a experiência de tentar decidir o que ouvem mais e o que está certo, das seguintes possibilidades:
"Pesava três quilos e duzentos" ou "pesava três quilos e duzentas"?
"Ainda bem que eu intervim a tempo" ou "ainda bem que eu intervi a tempo"?
"Era bom que ela se entretesse" ou "era bom que ela se entretivesse"?
"Irei quando reaver o dinheiro" ou "irei quando reouver o dinheiro"?
"Foi condenado por ter matado o irmão" ou "foi condenado por ter morto o irmão"?
"Far-te-ia muita diferença" ou "faria-te muita diferença"?
E por aí fora...
Por
S. Leite
às
09:11
7
comentários
Palavras-chave: construção frásica , flexão , sintaxe
Pedindo desculpa a todos por ter ido de férias sem avisar (!), aqui estou novamente, com uma pergunta: qual das seguintes opções não serve para completar a frase e porquê?
Aquele é o meu vizinho...
a) que a filha é candidata à presidência da Câmara Municipal.
b) cuja filha é candidata à presidência da Câmara Municipal.
c) de quem a filha é candidata à presidência da Câmara Municipal.
Por
S. Leite
às
10:45
3
comentários
Palavras-chave: concordância , desafio , pronomes , sintaxe
O verbo chumbar, do ponto de vista sintáctico, não encontra consenso entre os estudiosos da língua. Os puristas consideram-no um verbo transitivo directo, isto é, um verbo que pede um complemento directo, por exemplo: “O professor chumbou o aluno”. Construções como “o aluno chumbou” são, portanto, consideradas incorrectas.
Os linguistas contemporâneos, pelo contrário, consideram esse tipo de construções perfeitamente legítimas, designando-as «estruturas causativas”, semelhantes a: “A neve derreteu (com o calor)” = “O calor derreteu a neve” ou “O navio afundou-se (com a tempestade)” = “A tempestade afundou o navio”.
Ora, se no plano sintáctico se aceitam diferentes posições, no plano semântico declara-se tolerância zero! Principalmente aos profissionais da comunicação!
Jornalistas da nossa praça empregaram este verbo inapropriadamente, ao noticiarem o voto contra de alguns partidos relativamente ao relatório da Comissão Parlamentar ao caso BPN, referindo que “o relatório foi chumbado pela oposição”.
Ora, se o relatório tivesse sido chumbado, não teria sido aprovado!
Tal como viver é não morrer, desaprovar é não aprovar, também chumbar é não passar, logo, a notícia deveria ter tão-somente evidenciado que os diferentes partidos votaram contra o dito relatório!
Por
S. Duarte
às
15:04
2
comentários
Palavras-chave: verbos

Era uma vez uma camisola, que havia chegado há muitos séculos a Portugal. Viera de França, mas sem grandes pretensões nem ambições.
Entrara devagar, com discrição e humildade, no nosso léxico e nem se importara quando a obrigaram a substituir o seu e final por um a mais português. O que ela queria era mesmo ficar por cá, por isso achou bem assumir uma forma que a identificasse e confundisse mais com as palavras portuguesas. E a sua vontade e determinação foram tão fortes, que os falantes se esqueceram de que a camisola tinha vindo de fora, acarinhando-a como cidadã do léxico nacional.
Um dia, porém, quando ela própria já tinha esquecido as suas origens, os falantes começaram a impacientar-se com ela. Alguns deixaram de a querer usar, sem razão aparente. Outros acusavam-na de ser demasiado ambígua, de servir para tudo e para nada, de não satisfazer as suas necessidades vocabulares. Alegavam que outras palavras, frescas e sofisticadas, se revelavam muito mais eficazes para aplicar nos diversos contextos em que as camisolas não eram, afinal, simples camisolas. E as divertidas t-shirts, as confortáveis sweat-shirts, os bonitos pullovers, as frívolas sweaters e os jovens tops foram-se insinuando na cabeça dos falantes. Mas, como eram cheias de si, estas palavras fizeram uma exigência: que a sua forma e graça original fossem sempre mantidas, de modo que não admitiam mudanças ortográficas nem deslizes de pronúncia.
E as camisolas, que antes nos tinham servido tão bem, em todas as ocasiões, foram preteridas em favor dessas novatas impertinentes, que agora se julgam as melhores do mundo.
É uma história comum, infelizmente...
Por
S. Leite
às
12:14
2
comentários
Palavras-chave: divagações , estrangeirismos , palavras
Por
S. Leite
às
14:54
1
comentários
Palavras-chave: dicionários , palavras , verbos
Hoje apresento-vos esta frase:
«O tradutor suicidou o texto.»
Gostaria que nos dessem a vossa opinião sobre o emprego que nela se faz do verbo suicidar. Estará correcto? Será usual? A mim soa-me muito mal! Depois vos direi onde a encontrei...
Por
S. Leite
às
14:37
2
comentários

Desde criança que sempre ouvi dizer suspense com um u assobiado afectadamente, a atirar para o ditongo - [ju] -, um s bem sopradinho por entre os dentes e a letra e transformada em "ã", para tornar bem claro que era uma palavra francesa.
Há muitos anos, contudo, também ouvi alguém dizer (quem teria sido essa alma iluminada?) que andava tudo enganado, porque a palavra suspense era de origem inglesa e, como tal, a pronúncia afrancesada não fazia qualquer sentido e deveria ser prontamente substituida, claro está, por um sotaque muito British, em que o u afinal se tornava um "a".
Os falantes de português pareceram-me então divididos em dois grupos: o dos que faziam uma boquinha pequena para sussurrar o "siuspanse" franciú e o dos que a abriam corajosamente para vocalizar um "saspenssss" à bife. E era preciso decidir qual o lado a escolher, para poder usar aquele estrangeirismo. Porque, tenho de admitir, havia ocasiões em que me parecia que ele era necessário, por mais que me esforçasse por substituí-lo por palavras mais vernáculas, como "suspensão" ou "expectativa-angustiante-mas-que-ao-mesmo-tempo-dá-um-certo-gozo-relativamente-ao-desenrolar-dos-acontecimentos-sobretudo-nas-narrativas-literárias,-televisivas-dramáticas-ou-cinematográficas".
Um dia, resolvi consultar o Dicionário Etimológico de José Pedro Machado e verifiquei, sem grande surpresa, que "suspense" não constava do rol de palavras sobre as quais se forneciam preciosos dados relativos à sua introdução na nossa língua. Mas o Houaiss confirma que se trata de um empréstimo do inglês, que por sua vez foi importado do francês, que por sua vez deriva, claro está, do latim.
Contudo, a origem não é o que mais importa, no fim de contas. Se estivéssemos à espera de saber de que língua vêm todos os estrangeirismos que utilizamos para os podermos pronunciar correctamente, teríamos de suspender o discurso a todo o momento para consultar fontes eruditas, por exemplo antes de dizer pijama, iate ou iogurte.
E o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea aí está para demonstrar que a contenda entre os sotaques francês e inglês para pronunciar "suspense" não se resolve por via erudita: o que conta é a forma como se convencionou dizer a palavra entre nós, ou seja, a pronúncia que nele se recomenda é a que foi consagrada pelo uso e que (lamentavelmente ou não, depende do ponto de vista), acaba por não ser fiel a nenhuma das duas: "suspanse".
Para mim, o "suspanse" perdeu a graça. Não é carne nem peixe, não aquece nem arrefece. Com a desvantagem de criar uma relação imprevisível entre o "a" sonoro e o "e" escrito, que dá azo a erros ortográficos.
Mas pelo menos já podemos pronunciar todos a palavra da mesma maneira, sem receio de que alguém nos venha dizer que estamos enganados. Valham-nos os dicionários com chave fonética!
Por
S. Leite
às
12:05
2
comentários
Palavras-chave: estrangeirismos , palavras , pronúncia
Numa mensagem em que nos faz a sugestão de abordarmos o tema de hoje, um leitor escreve o seguinte:
«tratar-se-há de uma dúvida tola ou ‘tratar-se-á’ de uma dúvida aceitável?»
Antes de mais, devo dizer que, para mim, e no que toca à língua portuguesa, nenhuma dúvida é simplesmente tola, todas são aceitáveis. Isto porque questionarmo-nos sobre a correcção ou incorrecção de uma forma ou estrutura linguística é um sinal de interesse e inteligência que nunca deve ser desprezado. Quem nos dera a nós, professores, que todos os alunos manifestassem as suas dúvidas, por mais tolas que as achassem!
Por outro lado, quem somos nós para avaliar o grau de relevância ou legitimidade de uma dúvida?... Quantas vezes as perguntas que fazemos sobre o que é certo ou errado parecem tolas e depois se revelam muitíssimo pertinentes? Esta até pode ser um bom exemplo.
Poderíamos dizer logo, sem pensar muito: «que disparate, "tratar-se-há"! Então aquele "á" não se vê logo que é a terminação do futuro do indicativo? Só lá está o pronome se no meio, mais nada! Tratará passa a tratar-se-á e pronto"!»
Mas também podemos ter calma e pensar um pouco. Podemos partir do princípio de que há sempre mais qualquer coisa por trás do óbvio e dar o benefício da dúvida à própria dúvida. Nesse sentido, este leitor até nos ajuda, pois escreveu o seguinte: «uns colegas falaram-me de umas contracções do ‘h’ e tal… que fiquei sem saber :)»
Pois é, caro leitor! As formas verbais que hoje identificamos como "futuro do indicativo" e "condicional" são na verdade o resultado da contracção dos verbos com o auxiliar haver, auxiliar este que identificamos sem dificuldade em construções como "hei-de encontrar", que é na verdade o mesmo que encontrarei (encontrar + hei). De igual modo, "há-de tratar" deu tratar + há, ou seja, tratará, com a supressão do h. Daí termos, com o pronome, tratar-se-á. Com o tempo, portanto, as duas formas verbais (verbo principal e auxiliar HAVER) aglutinaram-se, sendo que em muitos casos uma delas ficou reduzida, ou até ambas. É o caso de fazer + havia, que deu origem a faria = fa(ze)r(hav)ia.
Conclui-se, então, que tem muita lógica a grafia "tratar-se-há", embora seja incorrecta.
Por
S. Leite
às
13:43
4
comentários
Palavras-chave: flexão , ortografia , verbos
A minha filha de seis anos propôs-me este jogo verbal: dizermos à vez palavras começadas pela letra A. Depois da aranha, do ananás, da ave e da águia, da água e do avião, ela saiu-se com o alien. E, na sua inocente determinação, recusou-se a acreditar que a palavra não existia em português.
E a verdade é que a moda dos aliens (dito à portuguesa, "álienes") parece ter vindo para ficar (há 26800 ocorrências no Google em páginas de Portugal). Mas a mim parece-me tola mais esta vénia ao inglês - língua que eu adoro, mas não misturada com a nossa. Estão a ver peixe com carne? É mais ou menos isso...
Afinal, se temos os estrangeiros, os estranhos, os extra-terrestres e os alienígenas, para que é que precisamos dos híbridos "álienes"?!
Bem sei que vem do latim, mas não é por isso que faz cá falta uma consequência das más traduções no cinema...
Por
S. Leite
às
20:05
2
comentários
Palavras-chave: estrangeirismos , palavras
O anúncio de um banco reza assim:
«Está na altura do seu crédito habitação mudar de casa.»
Haverá aqui algum tipo de incorrecção linguística?
Por
S. Leite
às
19:23
5
comentários
Palavras-chave: desafio
É tão fácil cair na redundância que quase ninguém resiste a dizer "costumo fazer sempre assim" ou "tenho um amigo meu".
O dicionário Priberam, aliás, informa que a tautologia consiste numa «repetição inútil da mesma ideia em termos diferentes» - ou seja, exemplificando, ao mesmo tempo que define o conceito: tratando-se de uma repetição, para quê dizer que a ideia é «a mesma»?! Isto dá para ver como a tautologia é uma espécie de armadilha em que ninguém deve ter a veleidade de dizer que não cai ou nunca cairá...
Se nos repetimos desnecessariamente, para além de estarmos sujeitos a que se riam de nós ou nos corrijam, ainda podemos induzir os outros em erro, a respeito do que realmente queremos dizer. Quando alguém comenta que "gostou tanto da comida, que repetiu duas vezes", fico sempre na dúvida: serviu-se três vezes ou caiu na malfadada tautologia? Ontem ouvi alguém dizer na rádio que «os alunos repetiam novamente o mesmo ano». Fiquei sem saber se havia ali uma dupla redundância ou se devia fazer uma interpretação mais rebuscada da frase.
Hoje li numa publicação periódica um artigo (interessante, é preciso dizer), cujo infeliz título era este: «Morte súbita ocorre sem aviso prévio». Sendo o assunto sério, acho mal que nos façam rir do texto logo ao início!
E por falar em rir...
Por
S. Leite
às
15:40
4
comentários
Palavras-chave: construção frásica , palavras