31 julho 2009

Chumbar… é não passar!

O verbo chumbar, do ponto de vista sintáctico, não encontra consenso entre os estudiosos da língua. Os puristas consideram-no um verbo transitivo directo, isto é, um verbo que pede um complemento directo, por exemplo: “O professor chumbou o aluno”. Construções como “o aluno chumbou” são, portanto, consideradas incorrectas.
Os linguistas contemporâneos, pelo contrário, consideram esse tipo de construções perfeitamente legítimas, designando-as «estruturas causativas”, semelhantes a: “A neve derreteu (com o calor)” = “O calor derreteu a neve” ou “O navio afundou-se (com a tempestade)” = “A tempestade afundou o navio”.
Ora, se no plano sintáctico se aceitam diferentes posições, no plano semântico declara-se tolerância zero! Principalmente aos profissionais da comunicação!
Jornalistas da nossa praça empregaram este verbo inapropriadamente, ao noticiarem o voto contra de alguns partidos relativamente ao relatório da Comissão Parlamentar ao caso BPN, referindo que “o relatório foi chumbado pela oposição”.
Ora, se o relatório tivesse sido chumbado, não teria sido aprovado!
Tal como viver é não morrer, desaprovar é não aprovar, também chumbar é não passar, logo, a notícia deveria ter tão-somente evidenciado que os diferentes partidos votaram contra o dito relatório!

2 comentários :

À MODA DO PORTO disse...

Descobri este blogue por mero acaso. Mas há acasos felizes - e este é um deles. Tão feliz, que marcou direitinho para os meus "favoritos".
Os meus parabéns, e que nunca lhe doam s mãos.

À MODA DO PORTO disse...

Naturalmente, quendo escrevi "marcou" queria escrever "marchou". Assim é que está certo.