10 Julho 2014

Dedo anelar ou dedo anular?


Ora aqui está uma boa pergunta: o dedo em que se costuma usa um anel é o dedo anelar ou o dedo anular?

«É óbvio! Se vem de anel + -ar, claro que é o dedo anelar» - dirá muita gente, com razão.

No entanto...

e agora pasmem: também se pode dizer (e escrever) que é o dedo anular, pois em latim a palavra 
annulāre- tinha precisamente o sentido de "relativo a anel". Trata-se, pois, de uma palavra homónima do verbo anular, que também deriva do latim (annullāre). Confirmem aqui.

Sempre a aprender!

annulāre

anular In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-07-10].
Disponível na www: http://www.infopedia.pt/pesquisa-global/anular

07 Junho 2014

Piquenique e não "pic-nic"

Ao contrário do que muitos portugueses pensam, e do que sugere a conhecida campanha publicitária do Continente, a palavra inglesa pic-nic tem em português uma grafia adaptada, que é piquenique.

A forma pic-nic já nem sequer se encontra na Infopédia, por exemplo.

14 Maio 2014

Expressar ou exprimir?


Muita gente prefere empregar o verbo expressar, preterindo exprimir, talvez por razões mais emotivas do que racionais, porventura pela sua semelhança com espremer (que aliás não é apenas sonora, mas também semântica e etimológica).
No entanto - surpresa! - exprimir tem mais tradição na nossa língua, uma vez que remonta ao substrato latino (em latim exprimĕre, que significava «exprimir; espremer; fazer sair»), ao passo que expressar é uma sufixação do particípio passado expresso (+ sufixo -ar), que por sua vez é forma do verbo... exprimir!


10 Abril 2014

Compensador ou compensatório?


Eis duas palavrinhas que parecem sinónimas e afinal não são, pois compensador significa "que traz benefícios" e compensatório significa "que serve para compensar". Tudo fica mais claro com exemplos:
Quando um determinado tarifário é (supostamente!) vantajoso para o cliente, é compensador.
Quando uma empresa oferece um serviço gratuito a um cliente como forma de o compensar por lhe ter feito uma cobrança indevida, esse serviço é compensatório.
Agradeço à Marta pela dúvida que me colocou, pois também eu aprendi esta diferença, ao tentar responder-lhe!


05 Março 2014

"Ensino à distância" ou "ensino a distância"?

Nunca tinha tido dúvidas sobre qual das duas expressões utilizar, quando me referia ao facto de determinada formação pedagógica ser feita sem contacto presencial entre professor e aluno: dizia e escrevia, sem hesitar, ensino à distância... até ter lido o excelente esclarecimento de Carlos Rocha, no Ciberdúvidas, sobre essa questão.
A solução para resolver de vez a contenda que opõe os que defendem "ensino a distância" aos que preferem "ensino à distância" estaria em encontrar os argumentos definitivamente convincentes para sustentar a presença ou ausência do determinante definido feminino singular a, antes do nome distância. Nesse sentido, e apesar de ser muito elucidativa, a resposta de Carlos Rocha não é conclusiva (e talvez seja, por isso mesmo, a mais sensata).
Em todo o caso, explico por que motivo prefiro, ainda assim, usar a expressão "à distância", com crase, ou contracção, entre a preposição e o determinante (a + a = à):
 Qualquer preposição pode ser substituída por outra, que exprima uma ideia semelhante. No caso de "ensino à distância", a ideia semelhante será "por" ou "através de". Ora, qual das opções preferiríamos para substituir a preposição na expressão em causa: "ensino pela distância" / "ensino através da distância" (com o determinante), ou "ensino por distância" / "ensino através de distância" (sem o determinante)?
Julgo que pelo menos os falantes de português europeu optariam, na maioria, pela primeira hipótese. Isto porque, apesar de serem legítimas ambas as formas, o uso consagrou o emprego do determinante neste caso - mesmo quando não especificamos qual a distância que separa os elementos ou partes envolvidas.
Considero, basicamente, que podemos dividir as expressões deste tipo (e estou a considerar apenas nome + prep. a (+det.?) + nome) em dois grupos, as que implicam contracção entre preposição e determinante, e as que apresentam a preposição a em estado "puro", sem crase com o determinante:

compra a prestações           compra às prestações
trabalho a dias                    ensino à distância
ovo a cavalo                       bacalhau à Braz
comida a peso                    comida/bebidas à discrição

Não sendo possível estabelecer regras estanques e fáceis de perceber e aplicar pelos falantes em geral para este tipo de expressões, a frequência de uso é, como sabemos, o factor que se encarrega, com o tempo, de fazer prevalecer uma forma e apagar a outra. Portanto, resta-nos esperar mais uns anos (ou décadas) e ver o que acontece!



26 Novembro 2013

Fórmulas de tratamento formais... uma espécie em extinção?


Há um fenómeno que observo com curiosidade. As cartas formais e os ofícios que vêm sendo substituídos por mensagens de correio electrónico (vulgo e-mail) passaram, quase todas, a ter uma fórmula de tratamento nada formal. Em vez da tradicional saudação cordial, do tipo "Exm.º Senhor Dr. Fulano de Tal", ou "Prezada Dr.ª Tal", a maior parte das pessoas (segundo a minha experiência, claro) passou a escrever, muito simplesmente, "Bom dia", ou "Boa tarde", ou "Boa noite", sem mais.
Isto é estranho, porque não há motivo para eliminar a forma de tratamento introdutória apenas porque o suporte é informático, em vez de ser o papel, e mais estranho ainda porque não é garantido que o destinatário lerá a mensagem na mesma parte do dia em que ela foi escrita, pelo que o "Bom dia" pode ser lido à noite e o "Boa tarde" de manhã.
O que é que aconteceu às boas maneiras das cartas formais? Onde está a cerimónia de antigamente, no tratamento de pessoas desconhecidas? Que boa razão há para deixarmos de ter aquele trabalho mental saudável, a pensar sobre qual a forma de tratamento mais adequada para nos dirigirmos a este ou àquele indivíduo com quem não temos confiança nem intimidade?
Penso que, cada vez mais, as pessoas têm dificuldade em fazer uso de registos linguísticos distintos, conforme a situação e o interlocutor. Tendem a saudar toda gente com um familiar "Tudo bem?", esquecendo-se de que por vezes nem o momento nem a pessoa a quem se dirigem justificam tal familiaridade. Até há quem escreva "Boas" no início de um e-mail, mesmo quando este é dirigido a colegas desconhecidos!... Não concordo. Uma coisa é a simpatia, outra a falta de noção do que é apropriado.
E já todos terão notado que os "cumprimentos" finais também são cada vez mais substituídos por "beijinhos" virtuais, ou até por "bjs". Qualquer dia, até as mensagens formais de homem para homem cairão nesse ridículo. Mais vale não escrever nada no fim, senhores! Ou então deixar que a mensagem termine sobriamente com a nossa assinatura predefinida: nome, cargo, empresa, morada, telefone, etc. Sempre é menos mau.







08 Novembro 2013

O novo programa do Ensino Secundário




Já leram a proposta de Programa de Português do Ensino Secundário que o Ministério da Educação e Ciência deu a conhecer à comunidade esta semana?

A Presidente da Associação de Professores de Português considera que se trata de um "retrocesso", uma vez que a literatura volta a ter um lugar de destaque, e adverte que isto não será profícuo para os alunos.
Gostaria de convidar os leitores a utilizar os comentários como espaço de debate, divulgando as suas opiniões sobre o assunto.
Pessoalmente, nada tenho contra o estudo da literatura no Secundário, mas parece-me que, de facto, com este programa poderá haver um retorno estéril ao tempo em que os alunos decoravam matérias que nada lhes diziam a respeito das obras e autores, para poderem passar nos testes e esquecer tudo logo a seguir. Mais do que redefinir conteúdos, importa rever as metodologias. Mas aí não há programas oficiais  que orientem os professores. Cada um é responsável pela forma como dá as aulas, fazendo da sala de Português um lugar onde os estudantes aprendem com interesse ou um espaço árido onde eles apanham "uma grande seca".


11 Outubro 2013

Apresente-se, sem nódoas linguísticas!



Escrever com clareza, rigor e correção linguística é, nos dias de hoje, uma autêntica prova de esforço. E no meio empresarial, ou institucional, creio poder ser um fator decisivo na seleção de um candidato a um emprego.
Incorreções linguísticas, como “ele interviu” ou “melhor preparado”, e vícios de linguagem, como “há anos atrás” ou “tenho que enviar”, não só mancham a imagem do seu autor como podem excluir de imediato uma candidatura.
Quais são, então, os aspetos linguísticos (e formais) que devemos ter em conta quando redigimos uma carta de apresentação?
A forma de tratamento da pessoa a quem nos dirigimos deve ser, justamente, formal: “Senhor Diretor, Senhor Engenheiro, Senhor Professor”. E não nos podemos esquecer dos pontos de abreviatura, imediatamente antes do o ou do a sobrescritos: “Exm.ª Sr.ª Diretora”. O verbo, esse, deve ser sempre conjugado na 1.ª pessoa do singular, em concordância com o sujeito emissor da respetiva carta: “Venho muito respeitosamente apresentar…”.
E os tempos verbais? Bem sabemos que usamos com frequência o Presente do Indicativo com valor de futuro próximo, mas esse é um uso típico da oralidade. No código escrito, o Futuro do Indicativo é a opção mais adequada: “enviarei o certificado” em vez de “vou enviar o certificado”.
Outro aspeto característico da oralidade é o uso do Imperfeito em vez do Condicional. Em registo cuidado, devemos sempre usar este último: “aceitaria uma entrevista, caso desejasse” em vez de “aceitava”. Falar em Condicional é falar em mesóclise, i.e., a colocação do pronome pessoal no meio da forma verbal: “enviar-lhe-ia o CV” em vez de “enviaria-lhe o CV”, um dos muitos erros que, infelizmente, por aí grassam.
No domínio da ortografia, muita atenção aos acentos a mais: inclusivé, à priori, rúbrica, bem como aos acentos a menos: orgão, periodo. E atenção redobrada para os erros mais subtis – os da sintaxe – que podem não passar despercebidos ao olho mais desperto para as questões linguísticas: “vão haver, discordo com, tratam-se de, melhor classificado”, entre outros. Há ainda outras subtilezas sintáticas a ter em consideração, por exemplo, a incorreta omissão da preposição de com certos nomes abstratos: certeza de que, possibilidade de que, consciência de que. Assim, na parte final da carta de apresentação, esta regra deve ser bem observada: “Na expectativa de que esta carta merecerá a Sua melhor atenção, subscrevo-me com os meus melhores cumprimentos”.
Fazer um bom ou um mau uso da língua transmite, inequivocamente, uma imagem de nós, que pode ser positiva ou menos positiva…
Por conseguinte, preocupe-se não só em construir um bom CV, mas também em se apresentar com rigor e sem nódoas linguísticas!

22 Janeiro 2013

Pontapés na Gramática


Tenho o prazer de vos apresentar o meu novo livro – “Pontapés na Gramática” – que tem origem na rubrica radiofónica da Antena 3 (RTP), coapresentada com a locutora Joana Dias, que é também coautora da obra. Damos à estampa esta publicação com o mesmo nome, porque decidimos passar para o papel aquilo que fazemos diariamente na Antena 3: prestar um serviço público em prol do nosso belo idioma – a Língua Portuguesa!
Editado pela Areal Editores e com prefácio de Marcelo Rebelo de Sousa, este manual visa alertar o leitor para muitos pontapés na gramática que por aí grassam, abordando incorreções linguísticas frequentes de vária ordem.

11 Dezembro 2012

Salada de fruta ou salada de frutas?

Salada de fruta.

O nome fruta deve estar no singular, porque é um nome coletivo; designa um conjunto de frutos. Apesar da sua forma singular, os nomes coletivos designam um conjunto de seres ou objetos da mesma espécie: rebanho, cardume, pinhal, pomar, papelada, turma, equipa, júri, constelação, bando, etc.

20 Novembro 2012

Quem foi o primeiro "doutor da mula ruça"?


  Os dicionários esclarecem que a expressão “doutor da mula ruça” usada em registo familiar e em tom depreciativo, se aplica a «indivíduos que possuem um título ou um diploma, mas que não têm os conhecimentos de que se dizem detentores». Por extensão, a expressão “doutor da mula ruça” aplica-se vulgarmente ao chamado charlatão, aquele que tenta enganar os outros, fazendo-se passar por algo que afinal não é, neste caso, fingindo ser muito erudito.
  No entanto, a história que se conta sobre o 1.º doutor da mula ruça aponta para um significado da expressão um pouco diferente, quase oposto, que é o do homem que exerce a prática (e tem os conhecimentos) mas que não tem o diploma que o habilitaria oficialmente para isso.

  Então quem foi este doutor da mula ruça? De acordo com vários autores, houve um homem no século XVI em Évora, de nome António Lopes, que era conhecido como o “físico da mula ruça”, e exercia medicina sem possuir o grau de doutor. Acontece que este senhor tinha estudado em Alcalá de Henares, em Espanha, perto de Madrid. Mas uns dizem que por falta de dinheiro não pôde pagar o diploma, e portanto acabou por exercer sem ele; outros contam que obteve o grau de bacharel, mas havia certas reservas em relação à sua prática, porque não era doutor pela Universidade de Lisboa. Seja como for, o que acontece é que ele terá pedido ao rei D. João III, uma espécie de “equivalência”, como agora se diria (de bacharel, o grau que teria adquirido em Espanha, para doutor) ou, se quisermos, uma “creditação de competências”, como agora também se faz, ao abrigo do Processo de Bolonha, se considerarmos que ele não chegou a obter o diploma em Espanha, ainda que tivesse frequentado a Universidade. O que parece certo é que o Rei, a pedido deste António Lopes, solicitou ao físico-mor do reino, Diogo Lopes, que o examinasse para se avaliar a sua competência para exercer medicina. O resultado da avaliação foi positivo e há um registo no Livro de Chancelaria de D. João III que declara precisamente isso: «que António Lopes, físico da mula ruça, morador em esta cidade  me disse por sua petição que ele estudou nove ou dez anos no estudo de Alcalá» (excerto da carta régia de 23 de Maio de 1534).

  Portanto, fica a ideia de que este homem exerceu a profissão antes de obter oficialmente o grau academico, que solicitou esse grau por carta régia e não pela via normal, que seria um diploma da universidade, e que era conhecido como o “doutor da mula ruça”, talvez por se deslocar habitualmente numa mula de cor parda ou acinzentada. Não temos a certeza. Mas pelos vistos a sua actividade era contestada pelo facto de ele a exercer sem a mesma legitimidade que os outro físicos, o que o levou a sentir a necessidade de requerer o reconhecimento da sua competência. Algo que parece hoje novidade, mas que afinal não é...

24 Outubro 2012

Ai, que confusão!


Se há um caso em que o A.O. vem confundir quem precisa de ler ou escrever certas palavras, além do clássico para que fica igual a para (leram com a pronúncia certa? Pára fica igual a para...), esse caso - que para mim é o piorzinho de todos - é o de interceção / interseção / intercessão. Não é uma confusão?
Quem queira escrever uma destas palavras vai ter de parar para pensar, a menos que esteja muito treinado, e talvez até grafá-las primeiro com as consoantes mudas, aparentemente inúteis mas muito jeitosas para ajudar a distinguir estes três parónimos:

interceção - ou intercepção, é o acto de interceptar, ou seja, de interromper alguma coisa
interseção - ou intersecção, é o acto de cruzar, ou de interseccionar - duas linhas, por exemplo
intercessão - que não tinha nenhuma consoante muda, é o acto de interceder, de intervir.

Esta alternância entre esses e cês pode realmente funcionar como uma armadilha... e as consoantes mudas ali estavam para nos ajudar a identificar a grafia certa em cada caso. Agora, teremos de nos resignar a visualizar uma consoante invisível, além de muda. Pela positiva, podemos encarar isso como uma confirmação de que, como se aprende no Principezinho de Saint-Exupéry, «o essencial é invisível aos olhos»...

15 Outubro 2012

Sobre a palavra "piegas"


A palavra piegas pertence ao registo popular ou familiar, ou seja, é utilizada sobretudo nas situações em que estamos à vontade com o interlocutor, ou pelo menos em que pretendemos estabelecer uma certa familiaridade ou cumplicidade com quem nos ouve.

O significado é claramente depreciativo e prende-se com dois “defeitos”, por assim dizer, e que não estão necessariamente ligados com a ideia da lamentação ou do pessimismo. Por um lado, o exagero: piegas é excessivamente sentimental, revela sentimentos exacerbados, embaraça-se com coisas insignificantes, chora muito, ou assusta-se facilmente. São estas as possibilidades de significado da palavra piegas atestadas nos dicionários de língua portuguesa. Por outro lado, transparece desses sentidos também a questão do ridículo: uma pessoa piegas torna-se risível, porque tem uma postura patética, de certo modo imatura – e também é por isso que o significado da palavra é depreciativo.

A sua origem etimológica é obscura: José Pedro Machado, no seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, diz-nos que as hipóteses até agora levantadas não são convincentes. Em todo o caso, trata-se de um vocábulo relativamente recente na nossa língua, ele próprio acrescenta que não encontra vestígios muito anteriores ao século XIX. E cita uma das primeiras ocorrências do termo na escrita literária, que como não podia deixar de ser é de Camilo Castelo Branco (1868). No romance A Filha do Arcediago, no cap. 4, p. 31,  o narrador faz este comentário, que José Pedro Machado cita no dicionário: « O que elle sentia então, se eu podésse sentil-o agora, escreveria tres volumes em quarto, que o leitor me compraria, e a minha reputação de piegas amoroso estava feita.»

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa tem uma entrada para o antepositivo pieg-, que segundo esta fonte constitui uma palavra «expressiva» e «isolada em português». Diz-nos também que, embora as primeiras documentações sejam do século XIX, rapidamente deu origem a várias palavras com a mesma raiz: piegueiro, pieguento, pieguice, pieguismo e pieguístico. Vê-se, então, que é uma palavra bastante popular e que tem pano para mangas, como se costuma dizer, se quisermos usar todas as variantes…!

11 Setembro 2012

Beijos, beijinhos e bjs


   É engraçado reparar na forma como os beijos se infiltraram na nossa linguagem quotidiana, a tal ponto que o substantivo parece ter dado origem a uma interjeição, se não nas gramáticas e dicionários, pelo menos na nossa cabeça. Quais são os portuguses que, hoje em dia, conseguem evitar despedir-se de alguém íntimo (de preferência) sem exclamar «Beijinhos!», que é como quem diz «Adeus!» de modo mais afectuoso e menos dramático? Poucos, certamente, sobretudo se considerarmos as gerações mais novas.
  Na oralidade, portanto, os beijinhos estão a ganhar terreno em relação aos tradicionais "adeuses" e aos cada vez menos (?) populares "tchaus", "txaus" ou "ciaos". Nos beijinhos que se escrevem, proliferam as variantes mais ou menos personalizadas: "beijinhos", "beijos", "jinhos", "jocas", "jokas" e, inevitavelmente, usam-se as reduções para SMS, "bjs" e "bjks", para não falar das onomatopeias, como "chuaks", e dos sinais mais ou menos crípticos que representam os ósculos, como "xxx". Depois existem as contradições como os "beijinhos grandes", que os puristas aproveitam sempre para corrigir.
   Em qualquer caso,  no meu entender, temos uma nova interjeição na língua portuguesa. Trata-se de uma palavra usada como expressão de um sentimento ou reacção, que condensa em si toda uma ideia e por isso é usada como holofrase, isto é, essa única palavra vale como todo um enunciado. É como quem diz: «então até logo, ou até outro dia, vou-me embora!». E a pessoa vira as costas, desliga o telefone ou envia a mensagem, depois de ter dito a palavra mágica da despedida, que de certo modo acaba esvaziada do seu sentido. Porque tendemos a dizer «beijinhos!» quando não temos a intenção de os dar.




07 Setembro 2012

Língua à Portuguesa no FB



Criámos recentemente uma extensão deste blogue no Facebook, rendendo-nos à evidência de que assim chegaremos a mais gente e poderá haver uma maior interacção com os leitores/seguidores.
O desafio, obviamente, será conseguirmos colocar conteúdos relevantes nas duas frentes. Parece-me que o blogue deverá destinar-se aos textos mais longos, de carácter expositivo (para informações, reflexões e argumentações), e que na página no "FB" deverão entrar os conteúdos mais lúdicos e didáticos, como os desafios.
Corro o risco de tornar o blogue mais "cinzento" e maçudo, transferindo para o FB a faceta mais leve e brincalhona dos nossos textos. Não sei se os leitores daqui me farão o favor de ir até lá... alguns, provavelmente, até agradecem a oportunidade de nos seguir no grande portal social. Outros nem por isso. Mas não quero deixar de escrever neste blogue sob o pretexto de que o outro lado é mais interactivo. Tentarei, como já disse, separar os conteúdos e ir escrevendo nos dois sítios. Para já, e para melhor compatibilizar os dois recursos, vou usar o FB para deixar perguntas em jeito de desafio cujas respostas já foram publicadas no blogue nos anos que correram desde a sua criação, em 2007.

Um abraço virutal a todos e bom regresso ao trabalho, se for o vosso caso!

01 Agosto 2012

Rinque e ringue

Sabem como se designa o recinto plano, próprio para a prática de patinagem artística?

(a) ringue
(b) rinque
A resposta correta é a alínea (b): rinque.
O substantivo rinque designa o recinto plano e resguardado para a prática de patinagem (do inglês rink).
O substantivo ringue designa o estrado quadrado, geralmente cercado por cordas, para a prática de boxe, luta livre e outros desportos (do inglês ring).
Tendo praticado patinagem artística durante anos, confesso aqui publicamente a minha ignorância sobre a designação correta do recinto próprio para a prática desse tão belo desporto!
Sempre a aprender!

23 Julho 2012

Há mar e mar, há ir e voltar...


   Quem não se lembra desta sugestiva frase, que parece um provérbio pela concisão, pela sugestividade, pela rima?
   Tanto quanto pude apurar, não só não é um provérbio como nem sequer é de origem popular, embora tenha acabado por ficar na memória de muita gente, por causa da campanha de prevenção contra o afogamento nas praias portuguesas, nos anos 80, e tenha depois sido transmitida às gerações seguintes, como acontece com os adágios, que andam na boca do povo.
A frase é da autoria do poeta Alexandre O’Neill, que trabalhou em publicidade e a criou precisamente para essa campanha. Hoje, muitos portugueses conhecem de cor e aplicam este rifão, que chega a figurar em colectâneas de provérbios publicadas na Internet e que os meus alunos de 18, 19 anos conhecem, por "ouvir os pais a dizer".
É um bom exemplo de como uma frase sugestiva, associada a uma ideia forte, que toca as pessoas, pode ser consagrada, de tal modo que o seu significado ultrapassa o contexto em que foi usada inicialmente e ela se torna uma expressão fixa com um sentido aplicável em diversas situações. Talvez porque os portugueses sentem, tradicionalmente, o apelo do mar, esta é uma frase que não esquecemos. E hoje continua a usar-se como aviso, relativamente ao cuidado que devemos ter quando nos aventuramos no mar, ou talvez até noutro meio vasto e desconhecido, convidativo mas perigoso, onde é preciso ter cautela, para que as nossas idas tenham sempre um regresso.

12 Julho 2012

Revista em linha: Cadernos do ECB


A todos os possíveis interessados, gostaria de divulgar a revista online Cadernos do ECB, cujo número V foi recentemente editado. Contém muitos artigos sobre diversas temáticas no âmbito da educação e do ensino, incluindo sobre o ensino-aprendizagem do Português, da escrita e da leitura.





Se gostarem, por favor divulguem!

05 Julho 2012

Desafio lexical. Qual o termo correto: constrangedor / confrangedor? (a) Encontrar alguém conhecido na praia a fazer nudismo é sempre constrangedor. (b) Encontrar alguém conhecido na praia a fazer nudismo é sempre confrangedor.

21 Junho 2012

Arguição ou arguência?



O que diriam, referindo-se ao "acto de arguir": a arguição da tese ou a arguência da tese?















Parabéns aos que escolheram arguição!
Desenganem-se todos os que, como eu, pensavam que se trata de sinónimos...
A palavra arguência não está atestada em português. Soa bem, mas não é necessária, dado que temos o substantivo arguição, proveniente do latim arguitione, cujo sentido original se prende com a ideia de criticar ou censurar - aquilo que faz o arguente.
"Arguência" poderia designar algo como "qualidade de arguente", como a paciência é a qualidade de paciente, ou a decência é a qualidade de decente. Seria um termo bem formado e aceitável, mas não se sentiu ainda necessidade de o consagrar.

09 Junho 2012

Novo desafio

Mais algumas frases com problemas gramaticais para resolver... na minha opinião!

1 - Se eu soubesse que ele fugiria, tê-lo-ia preso à casota...
2 - O tic-tac dos nossos relógios biológicos é impossível de ignorar.
3 - À partida não deve existir dúvidas de que a norma é importante para todos.
4 - Com gozo e satisfação troceira, os amigos mostraram-lhe a surpresa.
5 - Um estudo sobre as separações entre jovens casais, mostrou que mais 60% ocorriam antes do 5.º ano de casamento.
6 - O ballet e a Opera eram os seus espectáculos preferidos.
7 - Ela entretem-se durante bastante tempo com livros e revistas.
8 - A homília foi longa, mas muito interessante e inspiradora.
9 - A parábola narra a história de um viajante que foi roubado e maltratado, tendo sido depois encontrado moribundo por um samaritano.

 


04 Junho 2012

Nova caça ao erro

Em todas as frases que se seguem há erros gramaticais. Conseguem encontrá-los?


1. Comecei a acreditar que ele ía acabar por contar tudo.
2. O desenho estava melhor feito do que a primeira tentativa.
3. Como reagiriam se vissem um homem nú a correr pela rua?
4.Um homem perguntava aos outros se não achavam estranho que houvessem tantas pessoas a entrar para o prédio da esquina.
5. As mães das crianças puxavam-lhes pelos braços, para as afastarem dali.
6. Parecia ser uma mulher muito pedante, daquelas que atribui demasiada importância à sua própria pessoa.
7.Este tipo de repreensões já não é permitida nos colégios, por ser violenta e traumatizante.
8.95% das cirurgias estéticas foram realizadas em mulheres, o que vai de encontro à ideia de que elas se preocupam mais com a aparência.
9. Vou ter de decorar a lista de trinta pessoas que será convidada para o evento.
10. Quem acha que nas frases acima não há erros, engana-se.



29 Maio 2012

Como fica "capitão" no feminino?



Capitão vem do genovês capitan, por sua vez derivado do latim capitanu-. Não existia, como é natural, o feminino, mas podemos dizer que a forma preferível talvez seja capitã, a mais provável e natural, caso tivesse havido essa evolução até aos nossos dias.
No que respeita a postos militares, porém, ainda perdura a tendência para os manter invariáveis quanto ao género. Assim, é usada a forma capitão para as mulheres, e é isto mesmo que atesta o recente Vocabulário Ortográfico Português, disponibilizado em linha no Portal da Língua Portuguesa.
Mas capitoa é forma que já se usou no passado, como capitaina. Hoje, porém, essas duas formas flexionadas de capitão parecem estar a cair em desuso.

18 Maio 2012

Mais bom e mais mau?

   Muita gente dirá, sem reflectir, que "mais bom" e "mais mau" são formas incorrectas de usar o grau comparativo desses adjectivos. No entanto, não são. Tudo depende do contexto...    


   O comparativo regular "mais bom", ou "mais mau", pode e deve usar-se quando comparamos adjectivos diferentes (um das quais é bom ou mau) no mesmo ser ou coisa.

   Por exemplo: “ele é mais bom do que inteligente”.
   Nesta frase, teria outro sentido dizer “ele é melhor do que inteligente”. Porque o que pretendemos dizer é que ele possui a qualidade da bondade em quantidade superior relativamente à qualidade da inteligência e não que ele possui uma qualquer qualidade (indeterminada) que é superior à inteligência.

   Outro exemplo: posso referir-me a um cão que é “mais mau do que estúpido

   Ou seja, o cão revela, para mim, maldade em grau superior, relativamente à sua estupidez.
   Mais uma vez, usar o comparativo irregular - “o cão é pior do que estúpido” - implicaria uma ideia diferente.


 

04 Maio 2012

"derivado a"... ou "devido a"?

A regência preferível do adjetivo participial derivado é “de”. Portanto, devemos dizer que algo é derivado de outra coisa, ou seja, que tem nela a sua origem – por exemplo, que o iogurte é derivado do leite.
Quando falamos de causas, devemos usar a expressão consagrada devido a, que é mais adequada, porque significa precisamente “por causa de”. O verbo dever, quando conjugado pronominalmente (dever-se), tem precisamente esse sentido, que é “ter como causa, ser resultado de”.
Derivar é um pouco diferente, porque pressupõe um produto que resulta de um processo de transformação de determinada “matéria-prima”, digamos.
Assim, quando explicamos o que provocou, por exemplo, um acidente, não devemos dizer que este foi derivado a um despiste, mas que foi devido a um despiste.

30 Abril 2012

Qual a diferença entre uma sigla e um acrónimo?



 

Comecemos pelas semelhanças, para que melhor se perceba a diferença: tanto as siglas como os acrónimos são vocábulos constituídos pela junção das primeiras letras de várias palavras que compõem uma expressão.
Por exemplo: BTT, bicicletas todo-o-terreno; ATL, ateliê de tempos livres; AVC, acidente vascular cerebral; OVNI, objecto voador não identificado; TAC, tomografia axial computadorizada, ou computorizada; LASER, que é um empréstimo do inglês, significa light amplification by stimulated emission of radiation.

A diferença está na pronúncia: enquanto a sigla é pronunciada letra a letra, ou seja, como se estivéssemos a soletrar (normalmente tem muitas consoantes seguidas), do acrónimo faz-se uma leitura silábica, tal como se fosse uma palavra normal.
Das que referi anteriormente, portanto, BTT ATL e AVC são siglas; OVNI, TAC e LASER são acrónimos. Os acrónimos, talvez por serem lidos silabicamente, são os que mais rapidamente passam a ser escritos com minúsculas e sem pontos a seguir a cada letra, porque tendemos a esquecer-nos de que as letras são iniciais de palavras.

17 Abril 2012

"Tem-no visto ultimamente?" ou "tem-lo visto ultimamente"?

Tem-no e tem-lo são combinações diferentes de forma verbal e pronome de complemento directo. Como na pergunta do título não há indicação da pessoa que desempenha a acção de ver, há uma ambiguidade que não permite concluir qual das duas seria correcta num determinado contexto. Ambas são possíveis... vejamos porquê.

Em tem-no, temos o verbo no presente do indicativo e a pessoa é a terceira do singular. Ele ou ela tem visto determinado indivíduo, por hipótese. Essa pessoa, enquanto “objecto directo” do verbo ver, é substituída pelo pronome o. Mas como a forma verbal termina em ditongo nasal e o pronome é o de C.D., 3.ª pessoa, a regra é: acrescenta-se um n ao pronome o. Tal como acontece por exemplo em “deram-no” e “põe-nas” (e seria incorrecto dizer “deram-o” e “põe-as”).

No caso de tem-lo, o tempo do verbo é, também, o presente do indicativo. Mas há uma alteração na própria forma verbal, por causa do pronome que se lhe junta, que é novamente o de complemento directo, o. A regra é: quando as formas verbais terminam em s, r, ou z, essas consoantes finais são suprimidas se a seguir vier o pronome o/a(s) e a este pronome antepomos um l. Assim, devemos dizer: “tu come-la muito depressa” (e não “tu comes-a muito depressa”; “vou guardá-los” (e não “vou guardar-los”);  “fi-lo ontem” (e não “fiz-o ontem”).
Portanto, o sujeito implícito em "tem-lo visto" é tu. "Tu tens visto o teu vizinho ultimamente?", por exemplo, o que, simplificado, dá "tem-lo visto ultimamente?", porque: ten(s) + (l)o = tem-lo.

Assim, dependendo de quem seja o sujeito daquele tem (que poderá ser tens), deveremos optar por uma ou outra forma.

30 Março 2012

"Estou cidrada" ou "estou siderada"?

Quando certas palavras se pronunciam de forma idêntica ou muito semelhante, há dúvidas que podem surgir apenas no momento em que nos vemos obrigados a escrever aquilo que apenas costumamos dizer. Então, o que nos confunde são os chamados parónimos: pares de vocábulos cujo significado é perfeitamente distinto, mas que pela forma se aproximam, como descriminado / discriminado, intersecção / intercessão, caçar / cassar, despensa / dispensa, elação / ilação, entre tantos outros. 

No caso de nos sentirmos surpreendidos, perplexos, atónitos, fulminados, "esmagados" por alguma coisa que experimentamos ou testemunhamos, o que devemos escrever: que estamos cidrados ou siderados?






A grafia certa é siderados. Vem do verbo latino siderāre, cujo significado é «sofrer a influência dos astros», como refere a Infopédia (daí a afinidade com sideral, relativo ao céu ou aos astros).

A forma participial "cidrados" só poderia vir do verbo cidrar, por sua vez derivado de cidra, o fruto da cidreira. Embora exista o substantivo cidrada, que é um doce feito com cidras, o verbo cidrar não se encontra atestado. Isso não nos impede de o usarmos, se for necessário. Porém, o seu uso deve reservar-se às situações em que uma pessoa ou coisa seja porventura esmagada por uma cidra...


26 Março 2012

O correto e o incorreto: entre as duas balizas

A dicotomia correto/incorreto tem sido uma questão amplamente debatida na literatura, encontrando defensores, mas também muitos opositores.
De um lado, situam-se os normativos, puristas da língua, cuja correção linguística decorre do rigoroso cumprimento da norma escrita, fundada no exemplo dos clássicos da literatura. De outro lado, situam-se os linguistas descritivos, que privilegiam a variação linguística, com base na frequência do uso e cuja máxima é “o povo é quem faz a língua”. Porém, como sabemos, ao invés de criador da língua, o povo é, sim, um utilizador e recetor de tudo o que ouve e lê.
Tarefa difícil é a de quem, como eu, se encontra entre as duas balizas. Enquanto linguista, cabe-me a missão de observar e descrever os diferentes aspetos da língua, a sua variação, mudança, idiossincrasias e, enquanto professora, a missão de prescrever e veicular a norma.

Mas que norma? Afinal, o que é a norma?
Eugenio Coseriu definiu norma como "o conjunto de traços linguísticos distintos impostos por uma tradição cultural e social que se torna a referência para toda a comunidade linguística, sendo ensinada na escola e veiculada pelos meios de comunicação social, os quais, para serem entendidos pelo grande público devem veicular precisamente essa norma-padrão".
A norma é, assim, o resultado do processo segundo o qual uma variedade social, convertida em língua padrão, se torna num meio público de comunicação: a escola e os meios de comunicação passam a controlar a observância da sua gramática, da sua pronúncia e da sua ortografia.

E quem fixa a norma? Quem se atreve a exercer o papel de “tribunal” da língua?
Outrora, no séc. XVI, a norma estava na Corte, de cujos membros se aprendia o uso correto da linguagem. No séc. XIX, por sua vez, a norma emanava de Coimbra, berço da primeira Universidade.
Atualmente, a norma-padrão parece ser aquela que a Escola (todo o Ensino) e os meios de comunicação social – televisão, rádio e imprensa – difundem.
Mas com base em quê? Nos dicionários e nas gramáticas de referência? Nos autores literários? Nos escritores?
Para justificar as regras que prescrevem, as gramáticas normativas apoiam-se em larga medida nas atestações dos escritores. Quando as consultamos, ficamos felizes por constatar que uma dada estrutura sintática sobre a qual tínhamos dúvidas é afinal legítima, porque um grande autor a utilizou nas suas obras.
A verdade é que os escritores também têm dúvidas, como muito bem observou o professor Ivo de Castro no artigo intitulado O Linguista e a Fixação da Norma (2002) [in Actas do XVIII Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística, Lisboa], contando a seguinte história passada com o escritor Augusto Abelaira:
«Incerto quanto a uma construção sintática infelizmente não identificada, pegou na Nova Gramática do Português Contemporâneo para verificar se ela estava atestada; estava, mas atestada por uma citação do próprio Abelaira. Se Celso Cunha e Lindley Cintra estivessem cientes das hesitações de Abelaira, teriam mantido a citação? E, sem ela, a regra? O que um escritor escreve, porventura desviadamente, torna-se logo português de lei?».

Daqui se conclui que a norma é como uma prancha de surf, tentando servir de plataforma firme num mar instável que é a língua.
Esta metáfora quer tão-somente dizer que falta em Portugal uma Autoridade da Língua com força de lei e cuja missão fosse a de esclarecer os falantes sobre a pronúncia das palavras, a adaptação de estrangeirismos, algumas estruturas sintáticas mais complexas, os diferentes valores semânticos que as palavras vão assumindo; que estabelecesse a fronteira entre o erro e a variante linguística...
Enfim, que se ocupasse de todas as questões inerentes a uma língua viva, como é a língua portuguesa!