Mostrar mensagens com a etiqueta sons. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sons. Mostrar todas as mensagens

23 agosto 2025

"Xi-coração" ou chi-coração?

 Não são raras as vezes em que recebo mensagens escritas com um afetuoso "Xi", o que me deixa confortada e feliz, mas também um pouco atrapalhada... 

Não, não é por não gostar de receber abraços, é porque esta palavra se deve escrever com <ch> e não com <x>!

É verdade, acreditem: o popular "xi" não está bem escrito, a forma certa é chi, por mais estranho que vos pareça. E o termo completo, naturalmente, também não é "xi-coração", mas chi-coração. O primeiro elemento deste composto é de origem onomatopeica, referindo-se ao som que (supostamente!) as pessoas emitem quando se envolvem numa destas manifestações de ternura.

Podem confirmar aqui ou aqui, por exemplo. 

Aproveito para deixar um caloroso chi-💛 a quem segue este blogue! 😊


01 junho 2016

"À semelhança" ou "Há semelhança"?


   Muitos não terão dúvidas, mas outros (muitos também?) talvez hesitem entre utilizar a forma verbal (verbo haver no presente do indicativo, 1.ª pessoa do singular) e a contração da preposição a com o determinante a, ou seja, à.

   Acabo de ler uma frase em que o erro é precisamente o de usar em vez de à. Não é esta, mas poderia ser: « semelhança dos nomes, os adjetivos podem ter várias terminações no plural». O correto seria, claro: À semelhança dos nomes, os adjetivos podem ter várias terminações no plural.

   Assim, lembrei-me de deixar aqui esta sugestão.

   Caro leitor, se tem dúvida neste tipo de frase, experimente substituir mentalmente a palavra com o som [a] por em ou por, e depois por existe ou existem e veja qual das duas faz sentido na frase.

Em semelhança dos nomes, os adjetivos podem ter várias terminações no plural.

A frase faz sentido, pois a preposição em tem um sentido próximo da contração à. Portanto, neste caso, a opção certa é À.


Existe semelhança dos nomes, os adjetivos podem ter várias terminações no plural.
A frase deixou de fazer sentido, pois o verbo existe não pode substituir a contração à.

   Se a frase fosse «Há semelhança entre nomes e adjetivos.», por exemplo, a substituição teria um resultado diferente:

Em semelhança entre os nomes e os adjetivos.
A frase deixou de fazer sentido, pois a preposição em não pode substituir a forma verbal há.

Existe semelhança entre os nomes e os adjetivos.
A frase faz sentido, pois a forma verbal existem tem um sentido próximo da forma verbal . Portanto, neste caso, a opção certa é .

   Espero ter ajudado quem tem dúvidas!

23 setembro 2011

Cuidado com as pesquisas :)

O Portal da Língua Portuguesa é uma base de dados de referência e um instrumento tão útil, que não imagino a minha vida sem ele. Não me canso de o recomendar e de louvar o trabalho da equipa que está por trás de tais conteúdos.
O seu vocabulário, porém, fornece apenas informação ortográfica e morfológica, pelo que gostaria de deixar aos leitores deste blogue, em especial aos meus alunos, duas recomendações:

a) tenham em conta que, por aparecerem duas palavras com grafias semelhantes, isso não significa que se trata da MESMA unidade lexical, com o mesmo significado. Por exemplo, o facto de constar ortiga e urtiga não quer dizer que o nome da planta se possa escrever de duas maneiras em português, pois ortiga significa também uma espécie de canhão.
Na verdade, é preferível, ainda hoje, escrever-se urtiga para designar a planta (do latim urtica), ainda que alguns dicionários já registem ortiga como variante ortográfica. O mesmo sucede com gás e gaz, chichi e xixi: estão lá ambas as formas, mas será que o significado é o mesmo? Só um dicionário nos pode esclarecer...


b) A divisão silábica apresentada para cada palavra é ORTOGRÁFICA. Isto significa que, se pretendemos saber como se divide uma palavra em sílabas fónicas, ou fonéticas, aquela base de dados pode não ser a melhor ajuda. Por exemplo, a palavra história aparece assim: his-to-ria. Ora, isto corresponde à divisão que se deve utilizar na translineação. Porém, na última sílaba (-ria) estão na verdade duas sílabas fónicas. Por isso, num manual de língua portuguesa do 1.º ciclo, por exemplo, história pode surgir como exemplo de palavra com 4 sílabas: his-tó-ri-a.
Acresce que a forma como partimos as palavras, quando as pronunciamos, pode variar consoante a velocidade de dicção (podemos dizer pi-a-no ou pia-no). Por outro lado, a translineação tem regras próprias que por vezes vão claramente contra a divisão silábica natural das palavras: por exemplo, partimos a palavra carro como car-ro, porque as consoantes iguais seguidas devem ficar separadas. No entanto, a partição fonética da palavra é diferente: [ka] [Ru] - ou seja, ca-rro.

Cuidado, portanto, com a forma como interpretam os dados disponíveis numa base de dados morfológica como a do Portal da Língua Portuguesa.
Espero que estas advertências sejam úteis e que tornem as vossas pesquisas ainda mais proveitosas!

05 abril 2011

O falar sentido por um pintor escrevente

Haverá forma mais bonita de sentir a língua portuguesa nas vozes brasileiras?


«O Brasil fez o idioma despir-se, assumir trejeitos de dançarina. Bebo esse sabor como se a palavra nascesse em mim pela primeira vez. Eis a minha língua rematerna.»

Mia Couto, "O Zambeze desaguando na Amazónia" (in Pensageiro Frequente)

01 outubro 2008

O privilégio e os privilegiados

Quem esteja disposto a pagar bem para ver o espectáculo "Cavalia" poderá optar por «LUGARES PRIVELIGIADOS» - é o que está escrito no portal www.cavalia.pt, na página relativa à compra de bilhetes.

Canso-me de ver este adjectivo mal escrito, mas ele não se cansa de aparecer. Parece que há muita gente que conhece a palavra "privelégios"... E também há os que preferem os "previlégios" e se referem aos "previlegiados"!

O substantivo privilégio, do latim privilegiu, sempre se escreveu assim. Naturalmente, o adjectivo dele derivado é privilegiado, também com dois is antes do e. Mas estas são daquelas palavras que nos pregam partidas quando menos esperamos, porque a forma como as pronunciamos não corresponde à sua grafia.

Cuidado, portanto, ao escrevê-las... não vá o erro tecê-las!

17 dezembro 2007

Tradução de sons?

Há uma aparente incongruência nas onomatopeias: se são palavras que procuram reproduzir os sons que representam, como se justifica que sejam tão diferentes de língua para língua? Será que um inglês ouve o ladrar do cão de maneira diferente de um português?

Tudo indica que sim. É certo que o mugido das vacas soa mais ou menos ao mesmo em todo o lado. A divergência na sua representação escrita é mínima: de mu (italiano) para meu (francês), passando por muhh (alemão), não há nada que nos espante.

Mas como se explica que as rãs façam croac em Portugal e brekeke na Hungria, que o oinc-oinc dos porcos seja gmy na Catalunha, que o cacarejar das galinhas seja cró-cró para os portugueses e kut-kudaj para os russos? Sabem como relincha um cavalo inglês? Neeeigh! Francamente!

Torna-se óbvio que, ou os animais de países diferentes não conseguem comunicar quando se vêem, ou as línguas que falamos condicionam a nossa capacidade de ouvir.

Nota: a Wikipédia tem uma lista de onomatopeias em diversas línguas, de onde retirei alguns exemplos.