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12 fevereiro 2016

Há mais em S.O.S. do que pontos e traços!


Há muitos anos, aprendi que a sigla S.O.S. não significava "Save our souls", como muita gente pensa, mas constituía antes a representação alfabética dos três sinais usados em código Morse para enviar pedidos de socorro: três pontos (S), três traços (O) e três pontos (S). Quando reproduzida acusticamente, essa sequência é bastante clara, tendo por isso sido escolhida para representar pedidos urgentes de ajuda enviados por telégrafo. A opção por estes sinais, em detrimento de outros, terá sido feita na Alemanha, em 1905.
Hoje, porém, aprendi que a sigla S.O.S. pode ser interpretada de forma totalmente diferente. Quando nos referimos ao facto de um medicamento, por exemplo, dever ser tomado apenas "em S.O.S.", aquelas três letras já não representam a sequência em Morse, mas têm um significado concreto, proveniente de uma expressão latina: si opus sit, que quer dizer «se for necessário».
Quem é que já sabia isto?!


30 abril 2012

Qual a diferença entre uma sigla e um acrónimo?



 

Comecemos pelas semelhanças, para que melhor se perceba a diferença: tanto as siglas como os acrónimos são vocábulos constituídos pela junção das primeiras letras de várias palavras que compõem uma expressão.
Por exemplo: BTT, bicicletas todo-o-terreno; ATL, ateliê de tempos livres; AVC, acidente vascular cerebral; OVNI, objecto voador não identificado; TAC, tomografia axial computadorizada, ou computorizada; LASER, que é um empréstimo do inglês, significa light amplification by stimulated emission of radiation.

A diferença está na pronúncia: enquanto a sigla é pronunciada letra a letra, ou seja, como se estivéssemos a soletrar (normalmente tem muitas consoantes seguidas), do acrónimo faz-se uma leitura silábica, tal como se fosse uma palavra normal.
Das que referi anteriormente, portanto, BTT ATL e AVC são siglas; OVNI, TAC e LASER são acrónimos. Os acrónimos, talvez por serem lidos silabicamente, são os que mais rapidamente passam a ser escritos com minúsculas e sem pontos a seguir a cada letra, porque tendemos a esquecer-nos de que as letras são iniciais de palavras.

20 setembro 2011

Ateéis e epimis

Sabem o que são "ateéis"?
Vários A.T.L.

As siglas são assim... achamos que se trata de um funcional conjunto de iniciais, sem direitos gramaticais, porque não são palavras a sério, e elas pregam-nos esta partida: põem na boca das pessoas um plural como deve ser, ou seja, flexionado de acordo com as regras da língua.
Se ATL ("á-tê-el") é uma unidade significante (e de que maneira! O que seria da maior parte dos pais e mães sem eles?!), um conjunto de sons verbais com tónica na penúltima sílaba e que termina em vogal + l - tal como papel, pincel e hotel - o seu plural, pois então, não deve ser A.T.L. (que não é plural nenhum), nem "A.T.L.'s", que soa a erro infantil, como "papeles" e "pinceles", mas "ateéis", como pincéis e hotéis.

E agora acrescento, depois de um prezado leitor me ter chamado a atenção para o facto de parecer que, no parágrafo anterior, eu defendo que o plural de ATL deve ser "ateéis": era a brincar, estava a ser irónica! Na verdade, as siglas não devem ser usadas no plural: o plural de ATL é ATL (repare-se que não há diferença nas iniciais entre Atelier/Ateliê de Tempos Livres e Ateliers/Ateliês de Tempos Livres).


E uma vez que acrescentei este aviso, posso agora perguntar: saben o que são "epimis"?
Essa ouvi ontem, com estes ouvidos que a terra (não) há-de comer: «dois epimis com bongos, nâguetes e cenoura», confirmou o funcionário da caixa de pagamento, depois de ouvir o pedido.
Já estão a ver o que são "epimis"?

Claro! É o plural de Happy Meal :)

20 março 2007

“SMSs” ou “SMS’s”?

(Este texto foi escrito por sugestão do Jaime!)

Quem é que não teve já uma dúvida deste tipo, fosse com a sigla SMS, fosse com outra qualquer, como CD ou DVD...?

Se o plural de palavras estrangeiras leva algumas pessoas a franzir o sobrolho e a hesitar na escrita (e há quem não hesite e escreva barbaridades como “atelieres”, “collant’s” ou “design's”), o plural das siglas pode revelar-se ainda mais problemático para mais gente.

De facto, onde e como devemos colocar o s ?

A resposta mais lógica e rigorosa é... em lado nenhum! Na verdade, não se justifica adicionar a uma sigla uma letra a mais (que não é inicial de nenhuma palavra e, portanto, não faz parte dela). Devemos dizer e escrever vários CD e não “vários CDs”, muito menos “vários CD’s”. Porque, bem vistas as coisas, mesmo que o nome representado esteja no plural (por exemplo, bilhetes de identidade ou "ateliers" de tempos livres), as iniciais que compõem a sigla permanecem as mesmas, ou seja, temos os BI e os ATL. Portanto, sempre SMS – seja plural ou singular.

Este é um dos casos em que as gramáticas simplificam, mas os falantes complicam!