"Tem-no visto ultimamente?" ou "tem-lo visto ultimamente"?
Assim, dependendo de quem seja o sujeito daquele tem (que poderá ser tens), deveremos optar por uma ou outra forma.
Ingredientes: muitos erros, bastantes dúvidas e uma mão-cheia de reflexões. Juntam-se esclarecimentos, correcções e sugestões em quantidade generosa. Tudo polvilhado com bom humor. Porque queremos partilhar a nossa maneira de saborear a língua!
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S. Leite
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15:31
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Palavras-chave: concordância , pronomes , verbos
Quando certas palavras se pronunciam de forma idêntica ou muito semelhante, há dúvidas que podem surgir apenas no momento em que nos vemos obrigados a escrever aquilo que apenas costumamos dizer. Então, o que nos confunde são os chamados parónimos: pares de vocábulos cujo significado é perfeitamente distinto, mas que pela forma se aproximam, como descriminado / discriminado, intersecção / intercessão, caçar / cassar, despensa / dispensa, elação / ilação, entre tantos outros.
No caso de nos sentirmos surpreendidos, perplexos, atónitos, fulminados, "esmagados" por alguma coisa que experimentamos ou testemunhamos, o que devemos escrever: que estamos cidrados ou siderados?
A grafia certa é siderados. Vem do verbo latino siderāre, cujo significado é «sofrer a influência dos astros», como refere a Infopédia (daí a afinidade com sideral, relativo ao céu ou aos astros).
A forma participial "cidrados" só poderia vir do verbo cidrar, por sua vez derivado de cidra, o fruto da cidreira. Embora exista o substantivo cidrada, que é um doce feito com cidras, o verbo cidrar não se encontra atestado. Isso não nos impede de o usarmos, se for necessário. Porém, o seu uso deve reservar-se às situações em que uma pessoa ou coisa seja porventura esmagada por uma cidra...
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S. Leite
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09:36
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Palavras-chave: ortografia , palavras , parónimos
A dicotomia correto/incorreto tem sido uma questão amplamente debatida na literatura, encontrando defensores, mas também muitos opositores.
De um lado, situam-se os normativos, puristas da língua, cuja correção linguística decorre do rigoroso cumprimento da norma escrita, fundada no exemplo dos clássicos da literatura. De outro lado, situam-se os linguistas descritivos, que privilegiam a variação linguística, com base na frequência do uso e cuja máxima é “o povo é quem faz a língua”. Porém, como sabemos, ao invés de criador da língua, o povo é, sim, um utilizador e recetor de tudo o que ouve e lê.
Tarefa difícil é a de quem, como eu, se encontra entre as duas balizas. Enquanto linguista, cabe-me a missão de observar e descrever os diferentes aspetos da língua, a sua variação, mudança, idiossincrasias e, enquanto professora, a missão de prescrever e veicular a norma.
Mas que norma? Afinal, o que é a norma?
Eugenio Coseriu definiu norma como "o conjunto de traços linguísticos distintos impostos por uma tradição cultural e social que se torna a referência para toda a comunidade linguística, sendo ensinada na escola e veiculada pelos meios de comunicação social, os quais, para serem entendidos pelo grande público devem veicular precisamente essa norma-padrão".
A norma é, assim, o resultado do processo segundo o qual uma variedade social, convertida em língua padrão, se torna num meio público de comunicação: a escola e os meios de comunicação passam a controlar a observância da sua gramática, da sua pronúncia e da sua ortografia.
E quem fixa a norma? Quem se atreve a exercer o papel de “tribunal” da língua?
Outrora, no séc. XVI, a norma estava na Corte, de cujos membros se aprendia o uso correto da linguagem. No séc. XIX, por sua vez, a norma emanava de Coimbra, berço da primeira Universidade.
Atualmente, a norma-padrão parece ser aquela que a Escola (todo o Ensino) e os meios de comunicação social – televisão, rádio e imprensa – difundem.
Mas com base em quê? Nos dicionários e nas gramáticas de referência? Nos autores literários? Nos escritores?
Para justificar as regras que prescrevem, as gramáticas normativas apoiam-se em larga medida nas atestações dos escritores. Quando as consultamos, ficamos felizes por constatar que uma dada estrutura sintática sobre a qual tínhamos dúvidas é afinal legítima, porque um grande autor a utilizou nas suas obras.
A verdade é que os escritores também têm dúvidas, como muito bem observou o professor Ivo de Castro no artigo intitulado O Linguista e a Fixação da Norma (2002) [in Actas do XVIII Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística, Lisboa], contando a seguinte história passada com o escritor Augusto Abelaira:
«Incerto quanto a uma construção sintática infelizmente não identificada, pegou na Nova Gramática do Português Contemporâneo para verificar se ela estava atestada; estava, mas atestada por uma citação do próprio Abelaira. Se Celso Cunha e Lindley Cintra estivessem cientes das hesitações de Abelaira, teriam mantido a citação? E, sem ela, a regra? O que um escritor escreve, porventura desviadamente, torna-se logo português de lei?».
Daqui se conclui que a norma é como uma prancha de surf, tentando servir de plataforma firme num mar instável que é a língua.
Esta metáfora quer tão-somente dizer que falta em Portugal uma Autoridade da Língua com força de lei e cuja missão fosse a de esclarecer os falantes sobre a pronúncia das palavras, a adaptação de estrangeirismos, algumas estruturas sintáticas mais complexas, os diferentes valores semânticos que as palavras vão assumindo; que estabelecesse a fronteira entre o erro e a variante linguística...
Enfim, que se ocupasse de todas as questões inerentes a uma língua viva, como é a língua portuguesa!
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S. Duarte
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17:24
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Palavras-chave: divagações , norma

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S. Leite
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09:51
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Palavras-chave: Acordo Ortográfico
Existe alguma incorreção na frase que se segue?
«A maioria dos adeptos benfiquistas saiu do estádio com a moral em baixo!»
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S. Duarte
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09:06
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Palavras-chave: desafio
Os valores já não são reconhecíveis como tais ou
Os valores já não são reconhecíveis como tal ?
Resposta:
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S. Leite
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15:31
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Palavras-chave: concordância , construção frásica , plural
Duas ligações interessantes sobre a recente e polémica questão da aplicação (ou não) do acordo ortográfico no Centro Cultural de Belém:
A brigada do asterisco - comentário do Embaixador Português em França
ILC contra o AO - razões para não aceitar a sua imposição
Tubo de Ensaio- crónica humorística de Bruno Nogueira (07/02/2012)
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S. Leite
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11:55
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Palavras-chave: Acordo Ortográfico
Que forma do verbo IR utilizariam para preencher o espaço na seguinte frase?
A Rita quer que nós ___________ com ela.
Muitos leitores decerto escolheriam "vamos" e é essa a forma adequada para o presente do conjuntivo do verbo ir. Porém, conheço muita gente que optaria por dizer "váiamos", tal como diria "dêiamos" em vez de dêmos, se, num contexto semelhante, o verbo fosse dar. Há quem defenda, para se justificar, que "váiamos" é a forma usada na região onde cresceu e aprendeu a falar português. Até pode ser. Mas, como sabemos, nem tudo o que se ouve dizer (às vezes uma vida inteira) é o que está correcto, do ponto de vista linguístico, tendo em conta a gramática normativa. A pergunta a fazer é: queremos usar a língua de acordo com o uso regional com que nos identificamos, ou queremos usar a variedade padrão, aquela que é encarada como modelar? A escolha será sempre nossa. Convém é que seja consciente, isto é, que saibamos que estamos a fazê-la, quais são as opções e o que implica cada uma delas. É o que acontece quando optamos entre:
auga e água
pus-os e pu-los
perca e perda
espilro e espirro
hás-de e hades
se haver e se houver
..e tantas outras!
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S. Leite
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11:37
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S. Leite
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22:55
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Palavras-chave: concordância , construção frásica , sintaxe
Será possível que haja quatro grafias correctas, em português, para esta palavra?
Sim. Qualquer das formas apresentadas no título está atestada pelo menos num dicionário de língua portuguesa. Faz sentido?
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S. Leite
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18:47
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Palavras-chave: ortografia , palavras
Ainda na ordem do dia, o "novo" Acordo Ortográfico atrapalha a vida a muita gente, embora se possa pensar que deixarmos de escrever algumas consoantes que não se pronunciam pode simplificar a tarefa de escrever em português.
Atrapalha, porque as dúvidas surgem a todo o momento, sobretudo quando é necessário escrever palavras compostas ou formadas por prefixação (cocolaborador ou co-colaborador?), ou quando nos preparamos para usar maiúsculas (norte ou Norte?) mas também quando não temos a certeza de se pronunciar, na "norma culta", determinada consoante (Egipto ou Egito?). E atrapalha muitas vezes os professores e os pais que lidam com crianças no ensino básico e cujos manuais e textos de apoio estão escritos de acordo com as duas grafias: a de 1945 e a de 1990. Com efeito, não é fácil para eles, nem para as crianças, gerir com os melhores resultados, ao nível da produção, as leituras "mistas" que se vão fazendo e que vão baralhando as referências ortográficas de cada um.
A fase de transição é realmente muito ingrata. Pela minha parte, por mais que deteste as novas regras que me obrigam a "descaracterizar" as palavras (ação, ator, redação e ótimo parecem-me tão feias...), sei que me vou habituar e que daqui a uns tempos já nem vou pensar mais nisso. Por outro lado, ao lidar quase diariamente com alunos recém-chegados ao ensino superior, estou consciente de que as dificuldades que muitos adultos revelam na escrita são bem mais abrangentes e graves do que as hesitações provocadas pela novas regras ortográficas. Custa-lhes tanto expor ideias (quando as têm) por escrito, é-lhes tão difícil distinguir passa-se de passasse, ficam tão atrapalhados quando lhes peço que utilizem um registo cuidado, que o A.O. se torna um pormenor insignificante dentro desse grande problema que é a sua dificuldade de expressão oral e escrita.
Devo ressalvar o facto de não serem todos - há sempre os alunos que nos surpreendem pela positiva, que nos ensinam, que nos calam a boca. Ainda hoje um aluno espanhol me ensinou uma palavra em português. Mas os que revelam dificuldades (e que o admitem, até, com tristeza e resignação) são cada vez mais, o que de resto não deve ser novidade para ninguém. Isto só prova que o meu trabalho é importante, ainda bem. Mas às vezes penso: antes não fosse...
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S. Leite
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11:50
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Palavras-chave: Acordo Ortográfico , divagações
A frase abaixo tem alguma incorreção?
“Na véspera do ano novo, centenas de pessoas foram evacuadas de um shopping da capital na sequência de uma explosão de gás.”
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S. Duarte
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14:29
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Palavras-chave: desafio
Hoje, a propósito de um anúncio que ouvi na rádio, pareceu-me que esta seria uma interessante pergunta para colocar aqui. Mais do que escolher, importa saber por que motivo uma das construções é preferível...
Quantas mais pessoas vierem à festa, melhor.
ou
Quanto mais pessoas vierem à festa, melhor.
?
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S. Leite
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14:33
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Palavras-chave: concordância , desafio , sintaxe
Afinal, aquela palavra que por vezes ouvimos dizer que é a mais comprida, ou das mais compridas em português, anticonstitucionalissimamente, é correcta ou não? E porquê?
Agradeço desde já as vossas respostas a esta "pergunta-desafio"! (Não se trata propriamente de uma pergunta retórica ou de uma dúvida existencial).
Uma pista: a resposta implica considerar o tipo de adjectivo que está na base do advérbio.
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S. Leite
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13:55
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Palavras-chave: palavras
A forma participial «abusado» só por si não constitui erro algum. Corresponde ao particípio passado de um verbo da primeira conjugação – ABUSAR. (Tal como: estudar – estudado; gostar – gostado; comprar – comprado; maltratar-maltratado, etc.).
Assim, é possível termos a estrutura composta TER ABUSADO, em construções participiais ativas como (1):
(1) Esse indivíduo tem abusado frequentemente dessas crianças.
O erro sintático prende-se com o uso do particípio «abusado» com o verbo auxiliar SER, em construções participiais passivas como (2):
(2) * Essas crianças têm sido abusadas frequentemente por esse indivíduo.
A frase (2) tem uma incorreção sintática, porque o verbo abusar NÃO PERMITE construções passivas. E porquê?
Porque é um verbo transitivo indireto, ou seja, é um verbo que é acompanhado de uma preposição.
Assim, verbos como CONVERSAR COM, OBEDECER A, GOSTAR DE, ABUSAR DE admitem apenas construções ativas e NUNCA PASSIVAS. Observem-se as seguintes construções passivas totalmente impossíveis em português:
(3) A Maria conversou com o Pedro.
(4) * O Pedro foi conversado pela Maria.
(5) O Pedro obedeceu aos pais.
(6) * Os pais foram obedecidos pelo Pedro.
(7) O Pedro gosta da Maria.
(8) * A Maria é gostada pelo Pedro.
Do mesmo modo, do ponto de vista sintático, não é possível termos a estrutura (10):
(9) O homem abusou da criança.
(10) * A criança foi abusada pelo homem.
Uma vez que não é legítimo o uso de passiva com este verbo, sugere-se o uso de perífrases, como (11):
(11) A criança foi vítima de abuso /maltratada/molestada/violentada.
Nota: O sinal * indica que a frase é agramatical, ou seja, incorreta do p.v. sintático.
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S. Duarte
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16:50
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Palavras-chave: sintaxe
Basicamente, tento levá-los a considerar que a forma como se fala e escreve é importante, e não indiferente, porque transmite uma imagem de nós que pode ser positiva ou negativa; e procuro transmitir-lhes a ideia de que, se tivermos consciência das nossas limitações e dificuldades, estaremos mais perto de as resolver e de melhorar o nosso desempenho. Explico-lhes, portanto, porque devem passar da atitude de “ah, eu nunca meto acentos” ou “eu nunca sei onde é que devo meter acentos” para a atitude de dizer “se há uma maneira de saber que palavras devem levar acentos e porquê, então eu quero saber qual é!”
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S. Leite
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13:12
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Palavras-chave: divagações , divulgação
Hoje venho fazer uma confissão: na aula passada, escrevi no quadro, sem pensar, "permissa".
Não tem desculpa nem perdão: se não temos a certeza de como se escreve, não devemos escrever. Muito menos num quadro de sala de aula, para todos os alunos verem e repetirem o erro, nos seus cadernos. Acreditem que me senti muito mal quando, horas mais tarde, houve uma luzinha de alarme que, muito atrasada, se ligou na minha mente. «Olha lá, não deverias ter escrito premissa?», perguntou-me um grilo falante que, na hora H, estava decerto, e infelizmente, a dormir.
O sobressalto foi atordoador. Senti uma náusea quase física. O mal estava feito. Raiva!
Desculpem o erro. E o desabafo. Todos.
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S. Leite
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09:50
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Os textos seguintes são excertos de notícias de um órgão de comunicação social.
Faça uma revisão atenta a cada um deles e indique as incorreções linguísticas/ortográficas que detetar.
A.
"Nas operações realizadas no fim-de-semana, os elementos da PSP apreenderam 75 doses individuais de haxixe, nove máquinas de fortuna e azar, 1.847 CD´s e DVD´s falsificados, 54 peças de vestuário contrafeitas e 368 euros em dinheiro."
B.
"Quando o terceiro golo parecia eminente, o “capitão” Cristiano Ronaldo reduziu (90+2 minutos), na transformação de um livre direto, e Portugal ainda procurou o “milagre”, mas não chegou a criar qualquer oportunidade."
C.
"À DVC está associado um processo complexo, que na sua origem tem um ciclo vicioso entre a hipertensão e a inflamação venosa. "
D.
"Fonte da PJ disse à agência Lusa que a menina, com menos de 10 anos de idade, terá sido abusada num bar de uma coletividade que frequentava habitualmente, onde o suspeito trabalhava."
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S. Duarte
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10:16
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Palavras-chave: desafio
Com ou sem leitores "fidelizados", continuaríamos a escrever neste blogue, mas confesso que fico feliz com a constatação de que chegámos, lenta mas firmemente, aos 100 seguidores.
Claro que o número 100 tem apenas a aura de ser a primeira centena, é um cento fresco, redondo e certinho. Mas não é melhor do que 87, 99, 101, ou outro número qualquer.
Naturalmente, sejam quantos forem, quer voltem a abrir esta página, quer a vejam apenas uma vez, todos os leitores merecem a nossa atenção e o nosso agradecimento.
Porém, não há como evitar sentir esta ligeira e pueril euforia... Porque 100 é, de facto, um número bonito, quanto mais não seja por vermos nele um motivo para festejar!
Obrigada, sinceramente, aos (primeiros) 100 leitores que escolheram seguir-nos!
Por
S. Leite
às
16:19
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Palavras-chave: divagações
Por
S. Leite
às
21:15
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Palavras-chave: concordância , construção frásica , desafio , ortografia , parónimos , sintaxe
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S. Leite
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19:31
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Palavras-chave: construção frásica , pontuação , sintaxe
Qual a expressão adequada: "tolerância de ponte" ou "tolerância de ponto"?
E porquê?
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S. Leite
às
21:40
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Palavras-chave: expressões , palavras , parónimos
O Portal da Língua Portuguesa é uma base de dados de referência e um instrumento tão útil, que não imagino a minha vida sem ele. Não me canso de o recomendar e de louvar o trabalho da equipa que está por trás de tais conteúdos.
O seu vocabulário, porém, fornece apenas informação ortográfica e morfológica, pelo que gostaria de deixar aos leitores deste blogue, em especial aos meus alunos, duas recomendações:
a) tenham em conta que, por aparecerem duas palavras com grafias semelhantes, isso não significa que se trata da MESMA unidade lexical, com o mesmo significado. Por exemplo, o facto de constar ortiga e urtiga não quer dizer que o nome da planta se possa escrever de duas maneiras em português, pois ortiga significa também uma espécie de canhão.
Na verdade, é preferível, ainda hoje, escrever-se urtiga para designar a planta (do latim urtica), ainda que alguns dicionários já registem ortiga como variante ortográfica. O mesmo sucede com gás e gaz, chichi e xixi: estão lá ambas as formas, mas será que o significado é o mesmo? Só um dicionário nos pode esclarecer...
b) A divisão silábica apresentada para cada palavra é ORTOGRÁFICA. Isto significa que, se pretendemos saber como se divide uma palavra em sílabas fónicas, ou fonéticas, aquela base de dados pode não ser a melhor ajuda. Por exemplo, a palavra história aparece assim: his-to-ria. Ora, isto corresponde à divisão que se deve utilizar na translineação. Porém, na última sílaba (-ria) estão na verdade duas sílabas fónicas. Por isso, num manual de língua portuguesa do 1.º ciclo, por exemplo, história pode surgir como exemplo de palavra com 4 sílabas: his-tó-ri-a.
Acresce que a forma como partimos as palavras, quando as pronunciamos, pode variar consoante a velocidade de dicção (podemos dizer pi-a-no ou pia-no). Por outro lado, a translineação tem regras próprias que por vezes vão claramente contra a divisão silábica natural das palavras: por exemplo, partimos a palavra carro como car-ro, porque as consoantes iguais seguidas devem ficar separadas. No entanto, a partição fonética da palavra é diferente: [ka] [Ru] - ou seja, ca-rro.
Cuidado, portanto, com a forma como interpretam os dados disponíveis numa base de dados morfológica como a do Portal da Língua Portuguesa.
Espero que estas advertências sejam úteis e que tornem as vossas pesquisas ainda mais proveitosas!
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S. Leite
às
19:19
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Palavras-chave: divagações , ortografia , palavras , sons
Sabem o que são "ateéis"?
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S. Leite
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19:30
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Palavras-chave: estrangeirismos , plural , siglas
Todos temos o direito de ser aselhas, de dizer disparates, de falar sem pensar, de cometer erros, de não conseguir fixar o que aprendemos e de esquecer o que tínhamos aprendido. É o direito de sermos humanos, afinal.
E quando teimamos no erro, quando nos recusamos a aprender, quando temos orgulho em sermos ignorantes... será esse também um direito nosso?
Claro que sim. Com uma diferença, que bem se vê.
É que, se assim formos, seremos mais aselhas do que os outros:
eternos "azelhas", teimando no z...
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S. Leite
às
16:48
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Palavras-chave: ortografia
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S. Leite
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12:19
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Decididamente, a língua muda mais depressa do que nós imaginamos. Agora "rular" significa o mesmo que o verbo inglês to rule, na acepção em que é usado em linguagem familiar, ou seja, no sentido em que se aplica a algo popular, que se impõe sobre o resto, que comanda o gosto e a moda.
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S. Leite
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13:41
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Palavras-chave: estrangeirismos , ortografia , tradução , verbos
A minha filha estava a resolver uma ficha de exercícios de língua portuguesa, do 2.º ano do 1.º ciclo do ensino básico. A certa altura, pedia-se-lhe que conjugasse o verbo comer nos tempos certos:
A cabra amanhã _________ muita erva.
Ela ia transcrever, simplesmente, o verbo comer, tal e qual, no infinitivo. Mas depois percebeu que a frase não faria sentido. Eu chamei a sua atenção para o facto de ter de conjugar o verbo no tempo futuro. E ela, baralhada: «comera? Mas "amanhã a cabra comera" não faz sentido!» Eu corrigi: «comerá. O futuro é comerá.»
Resposta dela: «Mas eu não falo chinês! Nem como os reis falam...»
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S. Leite
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17:55
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Palavras-chave: divagações , verbos
Qual das seguintes frases está correcta?
a) Os homens da tribos são, ainda hoje, circuncisados.
b) Os homens da tribo são, ainda hoje, circuncidados.
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S. Leite
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17:51
10
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Palavras-chave: ortografia , palavras , verbos