22 fevereiro 2007

"O sentinela" ?!

Vi há pouco tempo um filme com este título e fui ao dicionário verificar se já seria correcto o uso do determinante no masculino. Confirmei que sentinela é um substantivo feminino, por defeito (ou virtude!), e que deve ser usado como tal, mesmo que com ele nos refiramos a uma pessoa do sexo masculino. Exactamente como acontece com (a) criança, (a) testemunha ou (a) vítima.

Quem diz “o sentinela” está, portanto, a cometer um erro de morfologia, assim como quem diz “o ênfase”, “o síndroma”, “uma grama” e por aí fora. Mas, se a frequência destes erros o justificar, os dicionários e gramáticas passarão a contemplar os dois géneros para esses substantivos, como aconteceu com bebé e avestruz, que eram apenas masculinos e passaram a poder ser precedidos de artigos flexionados em ambos os géneros. Porque não há nada mais democrático do que a língua!


8 comentários :

deprofundis disse...

Vivi durante décadas em pequenos mundos guardados por sentinelas. Na altura, mundos reservado aos machos. Mas, "sentinela", a palavra, foi sempre feminina.
Talvez para compensar...

Jaime disse...

"O enfâse" foi um erro meu há pouco tempo no meu blogue.

Jaime
www.blog.jaimegaspar.com

nós disse...

Jaime, don't take it personally. O erro não é teu, é de muita gente! Convencido!! :P

Joana (2º ano) disse...

Haja democracia =D
Bj

Luis Castilho Martins disse...

Ecelente post, não fazia a mínima ideia... é daquelas coisas que cresce connosco e que damos por adquirida sem olhar devidamente para a expressão/palavra e questionar o porquê.

Luis Castilho Martins disse...

*excelente :) Não me quero ver no quadro de honra pelo menos por esta palavra. Estou a fazer um teste comigo próprio de forma a ver quanto tempo duro até lá ter uma palavrinha minha, eheheeheh.
Abraços

S. Leite disse...

Don't worry, be happy :)

Jorge Pinheiro disse...

Esta «do sentinela» é um pouco semelhante à confusão (???) suscitada por «personagem». É das poucas vezes em que os homens (os actores) têm de se sujeitar ao império feminino. Na «Conversa da Treta», embora só haja homens a representar, não deixam por isso de ser «as personagens». Uma das razões para a masculinização da dita terá a ver com a influência do Francês. Aí, sim, elas são eles: le personnage. De resto, o Francês masculiniza o que o Português feminiliza: le voyage/a viagem; le barrage/a barragem, etc., etc.