02 março 2008

OS LIVROS

Quando eu era pequena,

só queria era brincar.

Livros, achava-os bonitos...

mas não traziam bonecas,

nem kalkitos,

nem folhas para desenhar!

Quando me davam livros,

nos anos ou no Natal,

Abria-os, folheava-os,

tinham bonecos engraçados,

cores giras, e tal...

Mas ver filmes e desenhos animados

É que era divertido!

E, no fundo, eu era normal.

Depois, veio a adolescência...

essa altura em que “não há paciência”!

Porque nos obrigam a ler

aquelas obras literárias...

livros grandes, escritos há muito,

e sobre os quais é preciso saber tanto,

que deixam de dar prazer.

Quando fui para a faculdade,

escolhi letras, é verdade,

talvez (que vergonha!)

para fugir à matemática,

para fazer ronha... enfim,

mas também porque gostava de escrever.

Foi então que mergulhei,

sem saber, no mundo dos livros a valer!

Descobri tantas coisas,

aprendi tanto, sonhei, senti, acreditei...

eu sei lá!

Foi incrível, o que as palavras,

as simples letras,

puras manchas pretas no papel,

fizeram na minha cabeça!

Eu criei mundos e mais mundos,

fui autores, narradores e personagens,

tudo o que li

aconteceu dentro de mim:

com magia, com leveza,

e com a beleza das miragens.

Realmente, há livros tão interessantes

que, quando levantamos os olhos,

das suas páginas

parece que nada fica como antes!

Os livros dão-nos bagagem,

dão uma grande vantagem.

Uma pessoa que lê,

se alguma vez se sentir à margem,

não é por falta de saber,

é porque, na leitura de cada livro,

fez uma grande viagem

e ficou diferente:

mais culta, mais consciente.

E apesar de já ser adulta,

Eu sei, quando estou a ler,

que ainda posso crescer.

Melhor: sei que posso viver

outras vidas, além da minha!

E basta-me ter um livro

para nunca me sentir sozinha.

Há quem diga que somos

o que queremos,

que somos o que fazemos

E o que comemos também.

Pois eu digo que, em boa parte,

Nós somos o que lemos.

E ler também é uma arte,

um desporto – porque não? –

que a todos pode fazer bem.

Ler é saber, é poder,

uma forma profunda de ver

e é meio caminho andado

para melhor escrever

e melhor pensar.

Podia ser um ditado:

Quem lê, depressa ou devagar,

a algum lado há-de chegar.

S. Leite


Nota: este poema é apenas ligeiramente autobiográfico!

4 comentários :

Tânia disse...

Bonito, sim senhor! Quem sabe, sabe ;) Concordo com as ideias expressas no poema :)

Filipa disse...

Também gosto de divagar...
Mas quem nasce com esse dom consegue fazê-lo com facilidade e harmonia, englobando tantas ideias numa só, de uma forma cativante. Gostei muito de ler. E acho que esse ditado é de registar!=)

Maria Helena disse...

ADOREI !!!! MUITO LINDO !!! Como professora de português, de alunos que não gostam muito de ler,estou tendo mil idéias para utilizar este poema em nossas aulas.Tenho certeza que dará bons resultados.
Adorei esse blog!! Parabéns e obrigada pelas dicas, muito ricas!

S. Leite disse...

Obrigada :)
Digo que é "apenas ligeiramente autobiográfico" porque eu, felizmente, sempre gostei de ler. A razão que me levou a "fingir" que não gostava de livros na infância e na adolescência foi precisamente a vontade de me aproximar de crianças e jovens em risco de considerar a leitura uma actividade desinteressante. Escrevi este poema para o ler numa escola de Queluz, a crianças do ensino básico e secundário, no contexto da "Semana da Leitura". Infelizmente, na ocasião em que ia fazê-lo, acabou por não haver tempo para a leitura. Irónico, não?!