24 março 2008

O mistério do Acordo Ortográfico...

No início deste ano, o Acordo foi notícia na televisão, chegando, assim, a um público muito mais vasto do que os inúmeros textos que já se publicaram na imprensa e na Internet. Agora, com a notícia recente da aprovação, pelo Governo, de uma proposta de resolução sobre o II Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, os falantes perguntam-se: «Já temos de escrever de outra maneira? E o que é que muda afinal?» As dúvidas sobre as alterações, aliadas à indefinição sobre a sua entrada em vigor, fazem do Acordo um verdadeiro mistério para a maior parte de nós.

Recomendo, a propósito, a leitura de um texto de D’Silvas Filho (e há muitos mais!) sobre este assunto, em que o Acordo é perspectivado de uma forma rigorosa, clara e simples, desmistificando-se a ideia de que vem complicar a vida aos falantes, ou criar embaraços de qualquer espécie. Não sendo a favor, também não posso dizer que estou contra. O que me revolta, além deste pára-arranca que se tem arrastado há tanto tempo, é a especulação ignorante. Sobre este assunto, como sobre quaisquer outros, são de evitar as opiniões formadas levianamente, muitas vezes com base em equívocos e mentiras que pessoas mal intencionadas ou simplesmente mal informadas espalham por aí.

4 comentários :

Maria Feitas disse...

AAAAhhhh

Senti-me atingida. :-)
É verdade que li muito pouco. Já ouvi algumas, mas tem toda a razão. Vou já já ler. Aproveito hoje que tenho tempo. :-)

Maria Feitas disse...

1ª chapada :-)

"O texto do acordo exigia a ratificação de todos os signatários (sete) para entrar em vigor, mas numa das últimas reuniões da CPLP foi decidido que bastaria a assinatura de só três membros."

2ª chapada

"Dadas as vantagens do novo acordo, com o Brasil em força corremos o risco de Portugal ficar abandonado no seu orgulho balofo e na sua confrangedora inércia."

3ª chapada

"As pessoas conservadoras oferecem sempre as maiores dificuldades às mudanças na língua, com o receio de não saberem escrever depois."

4ª chapada

"As consoantes que não são articuladas nem em Portugal nem no Brasil desaparecem, caso do c em acção e do p em óptimo, por exemplo [mas autorizam-se quando são articuladas num dos países como, por exemplo, em convicto (nos dois países), em facto (em Portugal), em concepção (no Brasil)]. Será fácil a escolha: basta analisar se a consoante é muda ou não: se o for, pode desaparecer, embora continue a ser legítima na comunidade lingu[ü]ística que a pronuncie. Quem defende a necessidade da consoante para abrir a vogal anterior esquece casos como dida(c)tismo ou didá(c)tica, em que essa defesa não é possível..."


etc...
Vale mesmo a pena ler o artigo.

Note-se que este está a ser o meu último comentário. Ou seja cronologicamente oposto aos Posts originais.
:-)

S. Leite disse...

Pois... ;)
Obrigada, Maria. E desculpe, mais uma vez, a minha observação nos comentários ao outro artigo (Pró e Contra). Agora percebi que não era preciso tê-la corrigido. Ainda assim, mantenho lá o meu comentário porque outros leitores pensarão da mesma maneira e assim aproveito para os "desenganar". Espero que me compreenda!

Maria Feitas disse...

Claro que sim, mantenha lá o comentário, não tem sequer de pedir desculpas. Eu é que, como a mioria dos portugueses me antecipei nas opiniões, relativamente ao conhecimento que tinha sobre o assunto. E note-se que até costumo criticar esse comportamento. :-)