13 abril 2007

Trava-destrava-línguas

Em conversa com outra professora, surgiu a dúvida: é "trava-línguas" ou "destrava-línguas" que se deve dizer?
Confesso que não tinha uma resposta definitiva, embora me parecesse que "trava-línguas" era o termo mais comum. Tive, ainda, o pressentimento de que "destrava" pudesse ser mais um daqueles fenómenos sobre os quais escrevi há pouco, a propósito de "desinquieto", ou seja, o aparecimento de um "des" enfático, mas perfeitamente dispensável e até ilógico.
Mas a minha colega explicou-me que, na verdade, a intenção pedagógica subjacente ao uso dessas construções (como "há três pratos com trigo para três tigres"), no contexto da educação pré-escolar, é precisamente "destravar" a língua das crianças, porque se pretende ajudá-las a articular os sons em causa com maior destreza.
O passo seguinte, uma vez que continuámos sem ter a certeza sobre a validade do termo "destrava-línguas", foi consultar o Ciberdúvidas. Desta vez, porém, aquela excelente ferramenta não me ajudou: porque explicava que trava-línguas era mais correcto do que "quebra-línguas", mas não mencionava, de todo, "destrava-línguas".
Resolvi, então, consultar a Mordebe. Nessa base de dados, o termo "destrava-línguas" não existe. Será mesmo, como eu pensava, uma invenção do povo? É bem provável. Mas nada a impede de vir a ser dicionarizada. Afinal, se "desinquieto" já é uma palavra portuguesa, por que razão esta outra não há-de ser?!...

6 comentários :

Joana (2º ano) disse...

Hmm nunca pensei na palavra "destrava-línguas", porque nos livros para crianças e até quando pesquiso aqui na net, uso sempre o termo "trava-línguas". Mas é interessante pensar no assunto :)
É já amanhã o concurso :p

Jorge Sousa Santos disse...

Tenho acompanhado o vosso trabalho e admiro não só a forma directa e precisa na colocação das questões como também a «provocação» que estas trazem consigo, levando-nos a questionar formas e construções que a inércia fez cristalizar na utilização diária.
Quanto a "trava-línguas" e "destrava-línguas", creio que a segunda forma resulta da tentativa de introduzir coerência (motivação) na relação entre significante e significado, dado que um "trava-línguas" se destina a "destravar" uma língua presa. Esta tentativa de motivação do significante (que se traduz na contaminação de duas formas)é frequente e destina-se, em princípio, a tornar mais claro ou coerente o significado pa palavra. Podemos recordar exemplos bem diversos, como "terçolho" em vez de"terçol", "desinquieto" em vez de "inquieto", "diabretes" em vez de "diabetes".
Obrigado por me obrigarem a reler algumas páginas em busca de soluções. Continuem este trabalho excelente, que demonstra que as TIC podem ser um excelente meio de motivação para a escrita e para a reflexão sobre a língua.
Jorge Santos

S. Leite disse...

Muito obrigada, prezado colega! E a sua participação será sempre uma mais-valia nesta página...

Mariana Reis 5.º ano disse...

Acho muito bem que nos expliquem estas coisas , porque acho que têm que nos incentivar para acharmos alguma piada á Língua Portuguesa.
Parabéns, trabalho bem conseguido!

Anónimo disse...

acho que a palavra destráva línguas fosse, para mim, muito importante

duvidas_100duvidas@hotmail.com disse...

À procura de trava-línguas ou destrava-línguas, encontrei o vosso blog.
Que grande descoberta!
Parabéns pelo vosso excelente trabalho. Continuem, por favor!!!
Já o adicionei aos meus favoritos!!

Beijinhos de uma ex-aluna e admiradora vossa,
Dora Isabel