05 junho 2009

Estrangeirismos, pediram licença para entrar?

Vivemos na era da imagem. O corrupio para os ginásios e para as clínicas de beleza espelha uma verdadeira obsessão pela figura perfeita.
E a língua não escapou a esta vaidade excessiva. Também ela usa cada vez mais maquilhagem e mais adornos, e como se o produto nacional não fosse de boa qualidade, procuramos embelezá-la com adereços vindos de fora.
No universo da moda, as manequins não se podem esquecer dos seus books e composites sempre que vão a um casting. E o look convém ser bastante clean, por isso não devem exagerar na make-up!
No meio publicitário, qualquer projecto começa com um briefing dado pelo cliente, que define o deadline e aprova ou não o budget.
Na praia, os surfistas procuram ondas para exibirem os seus drops e os seus snaps. E se o mar estiver flat ou houver muito crowd, o melhor é fazer um jogging matinal ou então ficar deitadinho na toalha a apanhar banhos de sol.
E por falar em sol, não adianta tapá-lo com a peneira. Os estrangeirismos estão por todo lado, qual praga veio para nos consternar. Decididamente, entraram sem pedir licença.
Mas eles não vivem apenas em “condomínios fechados”. Eles coabitam cada vez mais em lugares comuns: no shopping, a fast food; nas lojas, os tops e as t-shirts, no cabeleireiro, o brushing; na rua, o carjacking; na escola, o bullying
E desengane-se quem pensa que os usamos por necessidade linguística. A verdade é que os usamos por moda, por prestígio e por estatuto social.
Porque há ou não um certo glamour (desculpem, queria dizer encanto!) em dizer spa em vez de termas, resort em vez de estância, feedback em vez de retorno, performance em vez de desempenho, nuances em vez de madeixas?!

Encanto para uns, tormento para outros…
Um autêntico tormento para quem vê no estrangeirismo uma ameaça ao seu património linguístico e cultural.
Mas não há nada que possamos fazer, senão rendermo-nos às evidências…
E por enquanto ainda os utilizamos gratuitamente. Mas não deve faltar muito para que tenhamos de pedir licença para os usar: empresta-me essa palavra, se faz favor?

4 comentários :

Nós disse...

Ora aqui está um posta que genial que nos obriga a uma reflexão.

João disse...

Muito Bom mesmo

Anónimo disse...

E que dizer dos horripilantes e híbridos "textos" que acompanham certos produtos, ferramentas e dispositivos comercializados nessa praga das "lojas dos chineses"?
Portugueses: reclamemos em coro, junto de QUEM DE DIREITO, que é muito urgente uma ASAE para a LÍNGUA PORTUGUESA DE PORTUGAL.
A nossa bem-amada Língua-mãe merecia mais atenção de todos nós e em especial dos responsáveis do País.

Anónimo disse...

Fui à procura de «spa» no meu dicionário mas estranhamente não estava lá. «Spam» que é outra, também não. No entanto, vejam a sequência de palavras que encontrei:

soufflé
soul
soutien
souto
souvenir
sovaco
sovar
soviético
sovina
sozinho
speed
spray
spread
sprint
squash
staff
stand
standard
status
stick
stock
stop
storyboard
stress
stresse
stripper
striptease

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