25 Setembro 2008

“Mortadela” ou “mortandela”?




Há dias falei-vos do meu problema existencial relacionado com a grafia e a pronúncia da palavra espargata.

Hoje, com alívio - por se tratar de um equívoco que não é meu - partilho convosco a constatação de outro erro do mesmo género: a "mortandela". Conhecem-na?

O que será que faz com que algumas pessoas tornem nasal o a que se segue ao t na palavra mortadela, que deriva do italiano mortadella e portanto nunca se escreveu com n?

Talvez seja o m inicial, como acontece com "muinto" (que eu também digo), por exemplo, em que o m contamina a pronúncia do ditongo que se lhe segue, tornando-o nasal. É até difícil pronunciar a palavra muito como deve ser, a menos que estejamos com o nariz entupido ou tapado. Mas curiosamente, "mor-tan-de-la" custa mais a dizer do que "mor-ta-de-la"... É como as "chauchichas" em vez de salsichas!

A mim, "mortandela" soa-me a mortandade, ou, pior, parece "morta anda ela", o que é mau de mais para estabelecer qualquer relação entre o enchido e esse nome adulterado. O que me vale é que, como nem sequer gosto de mortadela, não perco muito tempo a pensar nisso!


11 comentários:

Jorge disse...

Essa já sabia ;)

papel químico disse...

está cientificamente provado que as pessoas que comem sandes de mortandela geralmente espilram e destrocam dinheiro enquanto desmoem o almoço.

S. Leite disse...

HAHAHAHAHAHA!!!! Vem mais vezes, Papel Químico ;)

Dulce disse...

LOL, Papel Químico!

světluška disse...

Por favor, papel químico poderia explicar a piada a este brasileiro que não a entendeu? É que os erros que se cometem no Brasil e em Portugal são diferentes, como a própria autora do blogue (sic) já comentou.

Anónimo disse...

morta anda ela ... nunca + falo errado xD

mocorongo disse...

mortaNdela ou mortadela...se o sanduiche sai bom, qual a diferença?

Nuno disse...

Sra. S. Leite, a palavra "muito" só tem uma maneira correcta de ser pronunciada: com ditongo nasal. Assim é que é «como deve ser».

S. Leite disse...

Leia-se "como as letras mandam". Isto porque a seguir ao i não há uma consoante nasal (como em pinguim, ou saguim). Assim, e sabendo que há outras palavras da língua em que a ausência dessa consoante após o ditongo implica que ele é oral (cuidado, intuição, fui, anui, etc.), o falante comum é, por hipótese, levado a pensar que o ditongo "não deve ser" nasal.

Anónimo disse...

Só lembrar aqui que, no que concerne a pronúncia correta da língua padrão e ditongos, muito (lê-se corretamente nasalando o ditongo) há a dizer e várias exceções se encontram assumindo elas a forma correta. Além de ser de extrema importância ter sempre presente que grafia e fonia não raras vezes revelam desvios e para uma utilização correta da nossa língua temos que respeitar esses desvios, como o caso de muito e de tem, vem - estas ultimas incluem ditongos - Quem diria?
Boas pesquisas e aperfeiçoamentos linguísticos,
Clo

Anónimo disse...

Eu SEMPRE errei isso. Sempre foi "mortaNdela". E embora ainda seja muito difícil (acredite é mesm) vou tentar arrumar isso. Obrigada pela explicação.