24 Julho 2007

A polivalência de QUALQUER

Já alguma vez imaginaram que pudesse haver uma palavra na Língua Portuguesa com significados tão contraditórios?
O mais comum é existir um elo semântico entre as várias acepções de uma palavra. Não é, porém, o que acontece com qualquer. Querem ver?

1. Qualquer = todos(as)
Qualquer peixe sabe nadar.
2. Qualquer = nenhum(a)
Esse assunto não tem qualquer importância.
3. Qualquer = algum(a)
Passa-se qualquer coisa estranha naquela casa.
4. Qualquer = não importa qual
Por favor, traz-me uma bebida do bar. Uma qualquer!
5. Qualquer = sem importância
Ele não é um escritor qualquer!
A Maria nunca sairia com um rapaz qualquer!

13 comentários:

Sara Melina disse...

Boa tarde!

Realmente nunca tinha reparado em tal coisa :|

Espero que a professora já se encontre de férias ;)e que esteja td bem consigo!

Bjinhossss

S. Duarte disse...

Olá Sara!
Das aulas estamos de férias, mas ainda há algum trabalho até aos dias do bronze!
Temos uma grande novidade, mas só a divulgaremos em Setembro! Fiquem na expectativa!

p.s.Que tal fazer uma melhoria a LP2?
Bjs e boas férias!

Fox disse...

Cheira-me a graxa...

Jaime disse...

Lindo!

(Um pleonasmo que às vezes encontro em matemática: «para todo e qualquer x temos...»)

Jaime
www.blog.jaimegaspar.com

Carla disse...

Hummm novidades :D agora fiquei curiosa :) A professora sara já teve bebé? beijinhos e boas férias ;)

Mafalda (2º ano) disse...

Aposto que existem outras palavras que tem polivalência como o "qualquer"! agora quero tentar descobrir.

Professora Sandra, como anda a vidinha? ontem fui buscar o meu certificado de notas e a minha mae "mandou" vir comigo devido à nota de TEC...estou claramente a pensar fazer melhoria para o ano mas teria que ser numa turma da manhã. que me sugere?

Sugestão para um DVD (nao se esqueça que eu continuo a ver muitos e muitos filmes): O Clube do Imperador, com Kevin Kline. Muito bom e acho que a professora vai gostar muito!!!

Beijinhos e umas boas férias!!

Joana (2º ano) disse...

Esta não é uma professora qualquer :p
beijinho

S. Duarte disse...

Olá meninas!
Ainda agora terminaram as aulas e já estou cheia de saudades!
Carla, a curiosidade ...
Mafalda, TEC espera por si!
Joana, vocês também não são umas alunas quaisquer!
Bjs e boas férias!

Ana Pinhão disse...

Por acaso nunca tinha reparado que tal palavra podia ter tantos significados. Fantástica a língua portuguesa:)

Ah, parabéns à professora Sara pelo filhote:D

E boas férias!

Beijos

BF disse...

Não concordo!

A palavra “qualquer” tem o seu significado muito bem definido. O que se passa é que é usada incorrectamente, dando origem a frases com sentido lógico contraditório mas em que se assume que o sentido é o mesmo.

Exemplo:
“Esse assunto não tem qualquer importância” é o mesmo que “esse assunto tem nenhuma importância”, o que é completamente diferente da expressão que dão como exemplo: “esse assunto não tem nenhuma importância”. Ou seja, dizem que “qualquer” assume o significado de “nenhum”, quando na realidade as frases obtidas pela substituição de uma palavra pela outra têm significados opostos.

Não faz sentido dizer que “tem nenhuma importância” seja igual a “não tem nenhuma importância”. São precisamente o contrário. Não ter nenhuma é ter alguma, ou seja, é ter qualquer, e ter qualquer não é o mesmo que não ter qualquer.

Já têm um nó no cérebro? Eheheh!

S. Leite disse...

BF, achei a sua intervenção muito interessante. Contudo, não se pode negar que a dupla negativa existe em português. Considera que a frase "Esse assunto não tem nenhuma importância" significa o mesmo que "Esse assunto tem importância"?!
Penso que é óbvio para todos que "não tem nenhuma" significa o mesmo que "não tem qualquer". Assim como "não ter nada" significa "não ter coisa nenhuma" e não "ter algo".
Penso que no português padrão nem sequer é comum usarem-se frases do tipo "tem nenhuma importância". Tanto quanto sei, essas construções são características das variantes africanas. Lembro, por exemplo, a frase de uma bela canção do álbum Cor, de Maria João e Mário Laginha, sobre um menino negro, que é assim: "a mãe sabe nada". Aí, precisamente, o que se pretende dizer é o que nós por cá "traduziríamos" por "a mãe NÃO sabe nada"!

BF disse...

Há muitos exemplos de expressões que são utilizadas e aceites por todos, mas que não fazem qualquer sentido.

Por exemplo, a expressão “a excepção que prova a regra” tem origem em “exceptio probat regulam”, que na realidade significa “a excepção põe a regra à prova”. Mesmo que não se saiba a origem, que sentido faz dizer que a excepção prova a regra?

S. Leite disse...

Tem razão, BF. Há muitas expressões e palavras que não têm lógica na língua. Se formos por esse caminho... que sentido faz usarmos o termo "piscina" para um tanque de água que nunca tem peixes e ao qual deveríamos chamar antes "aquário"?! Que lógica tem chamarmos "canguru" a um animal, quando sabemos que os aborígenes que a pronunciaram queriam dizer "não vos entendo"? Qual é a coerência de usar o verbo "despoletar" para transmitir a ideia de originar, fazer acontecer, quando tirar a espoleta de uma granada a impede de explodir? Para quê continuarmos a chamar "Ilhas dos Açores" a um arquipélago onde nunca se viu um açor?
Se quisermos "rectificar" todos os termos e expressões cujo sentido se baseia num equívoco, para além de termos um trabalho moroso e difícil, corremos o risco de, posteriormente, ninguém nos compreender!