11 julho 2007

Quem é que se trata, afinal?

Quem se trata são os doentes, nas construções passivas. Por exemplo na frase “os diabéticos tratam-se com insulina.” Ou seja, eles não se tratam a si próprios, mas alguém os trata, tal como, na frase “vêem-se esquilos no Monsanto”, é evidente que não são os esquilos que se vêem a si próprios ou uns aos outros.

Com esta introdução algo confusa, queria apenas esclarecer os leitores sobre a expressão “tratar-se de”, que todos gostamos de usar em certos contextos, quando parece que o verbo ser não chega para dar um cunho formal à linguagem. Então, em vez de “é uma situação complicada”, dizemos “trata-se de uma situação complicada”. A frase torna-se logo mais bonita... e, até aqui, tudo bem.

O problema surge quando se começa a usar essa expressão, que é impessoal (exactamente como o verbo haver!), como se não o fosse. Então cai-se no erro de dizer ou escrever frases como “tratam-se de situações complicadas” ou, pior ainda, “estas situações tratam-se de casos complexos”. Portanto, atenção ao verbo tratar-se: se for seguido da preposição de, não admite sujeito.

2 comentários :

Dulce disse...

Este post fez-me rir... :) E foi muito bom rir-me dos esquilos e dos tratamentos com situações delicadas... porque estava mesmo a precisar de rir.

Margarida Assis disse...

Então concordará que se deve dizer "vê-se esquilos" em vez de "vêem-se esquilos", assim como "vende-se casas" em vez de "vendem-se casas", certo?