01 agosto 2007

PERFORMANCE

O que é? Quase toda a gente sabe.

De onde vem? Da língua inglesa, como tantas outras palavras que usamos diariamente.

Será um estrangeirismo ou um barbarismo? Depende do ponto de vista… para os utilizadores mais liberais da nossa língua, é um estrangeirismo perfeitamente aceitável, porque o seu significado não encontrava um equivalente adequado em português. Para os puristas, é um barbarismo, ou seja, um vocábulo “intruso” que não tem qualquer razão de ser, pois existem na nossa língua pelo menos vinte e um termos que o podem substituir (vejam a lista no Ciberdúvidas!).

Para onde vai? Para os dicionários de língua portuguesa, em breve, se continuar a ter a preferência dos falantes. Por mais alto que fale a voz dos defensores da vernaculidade do português, não serão eles quem decidirá se o termo vinga ou não – mas sim o uso que este tiver. E tem tido MUITO uso! A verdade é que a maior parte das pessoas que opta por dizer performance em detrimento de desempenho, fá-lo porque a palavra portuguesa não parece abranger a ideia claramente positiva de “eficácia”, de “sucesso”, que performance transmite.

Performance já anda na boca de toda a gente, quer conste dos dicionários, quer não. E assim se enriquece ou se empobrece a nossa língua?

16 comentários :

Mafalda (2º ano) disse...

Professora, bem-vinda outra vez! e parabens!

Mas não compreendo o "stress" de não se considerar a palavra performance um estrangeirismo...!

A palavra "toilet" é igualmente estrangeirismo (certo?) mas existes palavras portuguesas que a substituem.

Eu acho que a globalização tende a tocar um pouco em todos os ramos. Sendo assim, acho que se utilizamos outras palavras estrangeiras na nossa língua porque é que não podemos deixarmo-nos de cerimónias e encarar que a língua está em contínua mutação, e são necessárias mentes abertas para receber novos vocabulários?!

A palavra performance utiliza-se mais numa área artística e temos que confessar que tem o seu "quê" de glamour que essa área necessita.

deprofundis disse...

Claro que empobrece. À medida que as nossas palavras genuínas forem substituídas por barbarismos, quase sempre por pedantismo bacoco, o seu significado vai-se tornando mais restrito. Até passarem ao esquecimento.
É também o caso do famigerado "stress" (como é que se escreve em Português?). Estar com "stress" é simplesmente estar tenso.

Dulce disse...

Sou do tempo em que se escrevia dossier, soutien e outras palavras afins. Nessa altura não necessitava de as colocar entre aspas, o que agora faço. Não é por "mania" que continuo a utilizar essas palavras estrangeiras, é porque elas fazem parte das minhas heranças linguísticas. Compreendo que a língua é algo de vivo, que evolui ao longo dos tempos, incorporando e assimilando alguns vocábulos estrangeiros. Mas porquê não os admitir como estrangeirismos apenas? Porque temos que passar a escrevê-los à portuguesa. Dossiê (acho q é assim agora) recuso-me a escrever. Podem até achar que estou a ser muito renitente, mas prefiro escrever na língua original e colocar as malfadadas aspas. Há pouco tempo, num passeio pelo norte, encontrei um anúncio na estrada que publicitava uma residencial, ou hotel. Chamava-se de "cidnei". À primeira estranhei a palavra e só uns segundos depois a equiparei a "sidney". Mas afinal os nomes próprios não são para se manter inalteráveis? E por falar em atentados, que dizer do famigerado "allgarve"?
Cá por mim, acho que isto não é bem a evolução da língua. É outra coisa qualquer.
Um abraço.

Anónimo disse...

Eu cá não vejo glamour nenhum na performance; apenas provincianismo.

John Seaside

S. Leite disse...

Penso que é sempre "perigoso" condenar os estrangeirismos, porque não há ninguém que não os use (iate, pijama, batom, piza, hambúrguer, maionese... como referir-nos a estas coisas noutros termos?!). Além disso, muitos dos vocábulos que julgamos (hoje) serem bem portugueses foram também um dia incorporados na nossa língua. Se assim não tivesse sido, ainda hoje falaríamos latim! Alguém estaria interessado nisso?!

blogdoscaloiros disse...

Não considero um 'empobrecimento'!
Estrangeirismos foram utilizados pelos escritores mais vernáculos da nossa literatura! Veja-se Eça! Tinha uma simbólica.
Logo que utilizados em itálico ou mais vulgarmente entre aspas, actualmente!
Eu continuo a preferir, sempre que possível, em itálico! E é assim que lecciono.

Também poderíamos falar de neologismos! Outro aspecto a considerar...
Estamos a falar de uma 'língua viva! Há a evolução da língua pelo uso que os falantes fazem dela. Uso que deve ser depois e sempre regido pela Linguística Aplicada.

No entanto, sou de opinião que encontrada científicamente a grafia correcta se deve escrever 'à portugesa', tal como dossiê, abajur, stresse [pode-se continuar a utilizar 'tenso'] e mais actualmente blogue.
Sou acérrima 'purista' e feroz antagonista do acordo ortográfico!!

Porém, a teimosia de utilizar certos 'estrangeiros' é muitas vezes sinónimo de 'provincianismo'. Concordo com o 'Anónimo'!
Fruto dos tempos que atravessámos...

casccalensə disse...

"Stress", vejo-o sempre como "nervosismo". Uso-o bastante em deteriorimento de "stress", apesar de talvez não conter o significado mais correcto para o que a palavra designa, mas isso depende bastante de se nos habituamos ou não a ela, é preciso educarmo-nos na nossa língua e habituarmo-nos a palavras que podem muito bem vingar.

Assim como "Performance", que já me custa mais, tanto que no próximo semestre vou mesmo ter uma cadeira chamada "Performance", mas esta palavra já se mudou a ela própria no campo artístico, tal como a palavra "design", que os espanhóis tão engraçadamente traduziram para "diseño", mais fácil para eles visto "dibujo" já existir, mas o que faríamos agora nós, quado parece mesmo que os ingleses a vieram buscar ao francês ou ao português? lol

Não me vou esquecer da tradução propositadamente abusiva que encontrei na wikipedia, "marketing" seria "mercadotecnia", lolol, e a mais recente que eu e o meu irmão adoptámos por pura brincadeira, "infográfica" em vez de "pen" ou "caneta USB", tem tudo a ver! Uma esferográfica que contém informação ;)

S. Leite disse...

Infográfica é excelente. Pena que uma pessoa só não consiga mudar o léxico dos falantes todos...
Mas porquê esta fixação com o número 7, casccalense??

Alex Sander disse...

Empobrecimento linguístico seria não fazer uso de estrangeirismos! O dicionário de inglês está cheio de latinismos... Onde estão nossos germanismos? Temos o direito a eles também!

Alex Sander disse...

Ah... esqueci-me de mencionar! mania essa nossa de achar que o português é onipotente e não precisa das outras línguas. Pois precisa sim! Que seriam dos nossos escritores do século XIX sem o francês? Que seria de Camões sem o castelhano? Tenho um blog sobre Machado de Assis - http://capitulosparaumbruxo.blogspot.com.br/ - e pretendo discutir isso lá futuramente.

Anónimo disse...

Não é ruim uma palavra nova, desde que seja realmente necessária. O problema é adicionar mais uma palavra que confunda as pessoas, uma palavra sem acentos e que obedeça à regra da língua portuguesa. Já não falamos nem escrevemos bem nossa língua e vamos ficar enfeitando outras por simples vaidade? Precisamos de mais um pouco de orgulho próprio, nem na língua somos patriotas.

Anónimo disse...

Pois eh, evoluir para que, nao eh mesmo?
Deveriamos ter mantido a linguagem usada na idade da pedra, mantido a nossa cultura e tradicao, certo? Aquilo sim que era cultura, aquilo sim que era arte e a verdadeira literatura na sua forma mais fundamental e tradicional... Pura expressao artistica na sua forma mais rudimentar e pura... Ah que saudade daqueles simbolos e gravuras nas cavernas...
Pena que vieram uns escritores cheios de novas ideias que estragaram toda a nossa cultura e tradicao...
Realmente sou totalmente a favor das tradicoes e contra qualquer tipo de evolucao... Alias, nem sei por que motivo estou a usar este alfabeto ridiculo...

Lelê disse...

Estrangeirismo está cada vez mais forte, principalmente nos meios eletrônicos (fake, top, sux, noob, omg, plz etc, etc...).
Penso que daqui 150 anos estaremos como os filipinos, os quais absorveram tantos estrangeirismos que o tagalog falado hoje não passa de uma colcha de retalhos extremamente absurda.

Rafael Núbile disse...

E o pau-de-selfie? hahaha

Anónimo disse...

Performence, não é um estrangeirismo. Deriva do latim PER +Former. Começou a ser mais usada após a língua inglesa se ter apropriado dela, mas não deixa de ser uma derivação latina e, portanto, perfeitamente aceitável na língua portuguesa.

S. Leite disse...

Se formos por esse raciocínio, caro anónimo, então muitos estrangeirsmos deixam de o ser, pelo simples facto de serem palavras de origem latina, mesmo quando começam a ser usadas por influência de outros idiomas! Para mais, quem diz "performance" até costuma dar-se ao trabalho de pronunciar a palavra com uma pronúncia afetadamente estrangeirada!