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17 junho 2022

"Volte sempre que..." - com vírgula ou sem?

Como sabemos, a vírgula pode fazer uma grande diferença em certas frases, alterando completamente o seu significado.

No caso desta mensagem do Lidl, a vírgula (que deveria ser usada imediatamente antes da palavra que) faz falta na frase, pois marca a fronteira entre a oração principal («Volte sempre») e a oração subordinada explicativa, iniciada pela conjunção que.

«Volte sempre, que já estamos com saudades.»

Por outras palavras, sugerimos ao/à cliente que "volte sempre", pois sentimos a sua falta, assim  que este/esta se vai embora.

Note-se que, neste tipo de frase, a palavra que pode ser substituída pela conjunção porque, na medida em que introduz o motivo ou explicação da oração anterior:

«Volte sempre, (por)que já estamos com saudades.»

Portanto, esta é uma boa maneira de saber se a conjunção que requer vírgula ou não: se for substituível por porque, ficamos a saber que sim.

Para que fosse correta a ausência de vírgula entre as palavras sempre e que, teríamos de ter uma frase de outro tipo. Por exemplo:

«Volte sempre que quiser.»

ou

«Venha à nossa loja, sempre que lhe apetecer.»

Nestes casos, a palavra que não é uma conjunção explicativa. Faz parte da locução subordinativa temporal sempre que e é por isso mesmo que não deve ser precedida por uma vírgula, pois esta quebraria a ligação entre os seus dois termos. 

Pode, porém, haver vírgula antes da palavra sempre: essa vírgula separa, com toda a legitimidade, as duas orações.

«Venha à nossa loja» - oração subordinante

«sempre que lhe apetecer» - oração subordinada temporal.




11 abril 2022

"Ó" não é o mesmo que "oh"!

Já aqui falámos sobre a diferença entre "oh" e "ó", num breve esclarecimento publicado em 2007. 

Porém, hoje não resistimos a fazer outra chamada de atenção relativamente à grafia diferente destas duas interjeições, porque acabamos de verificar, com surpresa, que nas várias edições da obra A Maior Flor do Mundo, de José Saramago, a palavra oh está erradamente grafada, na seguinte passagem:


«Ó que feliz ia o menino!»

(Saramago, 2016, p. 17)

Não existirão dúvidas quanto ao facto de que, aqui, a exclamação expressa alegria, admiração, encantamento, emoção positiva. Portanto, a palavrinha em causa deveria estar escrita com h e sem acento agudo: oh. Só faria sentido empregar ó se houvesse um chamamento, uma invocação. Ora, o narrador está apenas a expressar o que sente, não está a dirigir-se a ninguém. Assim, a grafia correta é:


Oh, que feliz ia o menino!

ou 

Oh! Que feliz ia o menino!

Note-se que, após proferirmos a interjeição oh, fazemos naturalmente uma pausa, pelo que se recomenda o uso de pontuação logo a seguir: vírgula, ponto de exclamação ou mesmo reticências. Neste último caso, a exclamação terá um tom mais arrastado, por expressar um sentimento de melancolia, desilusão ou tristeza. Isso não se aplica neste contexto, mas as reticências poderiam, por exemplo, ser usadas aqui:

Oh… Já não fui a tempo!

Voltando à frase de A Maior Flor do Mundo… Terá sido erro do autor ou dos revisores e editores?

Não sabemos. Nem importa. Seja como for, todos temos direito ao equívoco, ao engano, ao erro – pessoas comuns e conhecidas, escritores pequenos e grandes, autores anónimos ou consagrados. O que importa é estarmos dispostos a identificá-lo e a corrigi-lo.

 

Referência: José Saramago, A Maior Flor do Mundo. Porto: Porto Editora, 2016. [O texto foi publicado pela primeira vez em 2001, pela editorial Caminho]

Imagem retirada da página WOOK, onde o livro pode ser encomendado: https://www.wook.pt/livro/a-maior-flor-do-mundo-jose-saramago/16467570

 



09 junho 2012

Novo desafio

Mais algumas frases com problemas gramaticais para resolver... na minha opinião!

1 - Se eu soubesse que ele fugiria, tê-lo-ia preso à casota...
2 - O tic-tac dos nossos relógios biológicos é impossível de ignorar.
3 - À partida não deve existir dúvidas de que a norma é importante para todos.
4 - Com gozo e satisfação troceira, os amigos mostraram-lhe a surpresa.
5 - Um estudo sobre as separações entre jovens casais, mostrou que mais 60% ocorriam antes do 5.º ano de casamento.
6 - O ballet e a Opera eram os seus espectáculos preferidos.
7 - Ela entretem-se durante bastante tempo com livros e revistas.
8 - A homília foi longa, mas muito interessante e inspiradora.
9 - A parábola narra a história de um viajante que foi roubado e maltratado, tendo sido depois encontrado moribundo por um samaritano.

 


04 junho 2012

Nova caça ao erro

Em todas as frases que se seguem há erros gramaticais. Conseguem encontrá-los?


1. Comecei a acreditar que ele ía acabar por contar tudo.
2. O desenho estava melhor feito do que a primeira tentativa.
3. Como reagiriam se vissem um homem nú a correr pela rua?
4.Um homem perguntava aos outros se não achavam estranho que houvessem tantas pessoas a entrar para o prédio da esquina.
5. As mães das crianças puxavam-lhes pelos braços, para as afastarem dali.
6. Parecia ser uma mulher muito pedante, daquelas que atribui demasiada importância à sua própria pessoa.
7.Este tipo de repreensões já não é permitida nos colégios, por ser violenta e traumatizante.
8.95% das cirurgias estéticas foram realizadas em mulheres, o que vai de encontro à ideia de que elas se preocupam mais com a aparência.
9. Vou ter de decorar a lista de trinta pessoas que será convidada para o evento.
10. Quem acha que nas frases acima não há erros, engana-se.



15 outubro 2011

O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM OS CONECTORES?


Conector é uma designação genérica para as palavras ou locuções que servem para ligar ideias ou orações, permitindo construir frases complexas. Embora a conjunção seja a classe de palavras mais representativa desta função, também os pronomes, as preposições, os advérbios e até os verbos, para além da própria pontuação, servem para ligar orações.

Conjunções:
Rómulo de Carvalho é, ainda hoje, um conhecido poeta, professor e historiador, mas é pouco divulgada a sua faceta de pedagogo, embora sejam de grande interesse e enorme actualidade a maior parte dos seus diversos textos pedagógicos.

Pronomes relativos:
A facilidade das comuni­cações, que nos permite ter notícia, até simultânea, dos acontecimentos que se estão a passar em qualquer lugar do globo, tornam-nos comparsas de um espectáculo enervante no qual as múltiplas crises nos tocam, alarmam e deprimem. (adap. de Rómulo de Carvalho, “O estado actual do ensino da Física”).

Preposições:
Era um homem preocupado e atento às dificuldades sentidas pelos estagiários e professores, com perfeita consciência de que o Estado não cumpria a sua parte na eficaz organização e planificação do ensino, de acordo com as necessidades que eram sentidas por alunos e professores.

Advérbios:
Não estava satisfeito com a situação no país, talvez até tivesse contemplado a ideia de sair de Portugal, possivelmente leccionar em Inglaterra, entretanto o palco, por excelência, da aplicação de novos programas e novos métodos no ensino liceal.

Verbos (no gerúndio, particípio e infinitivo):
O professor terá sido um excelente examinador oficial, a avaliar pelos seus rigorosos critérios e grau de exigência, tendo sido o principal examinador estatal em Lisboa durante uma década, apreciados que eram os seus métodos de avaliação do desempenho de estagiários no ensino liceal.

25 abril 2010

E as vírgulas?


Tenho reparado que o manual escolar da minha filha, que está no primeiro ano do 1.º Ciclo, traz textos cuja pontuação parece ter sido esquecida, pelo menos em parte.
Confesso que me custa ver orações relativas explicativas, por exemplo, ou orações condicionais, sem quaisquer vírgulas a isolá-las. Chamem-me picuinhas ou retrógrada, mas a mim incomoda-me essa ausência!

12 fevereiro 2010

Erros frequentes


As frases que se seguem exemplificam alguns erros gramaticais (num sentido lato) que encontro por vezes nas comunicações escritas. Conseguem detectá-los?

a) Informamos que a escola estará encerrada do dia 15 ao dia 17, inclusivé.

b) O projecto " Alimentação e hábitos de vida saudável" vai de encontro às boas práticas de convivência e saúde alimentar.

c) No caso da suspensão se verificar num período superior a 30 dias, a inscrição do utente será anulada.

d) É com grande prazer que anuncio que, o vosso educando, foi o aluno da semana pelo seu bom desempenho e comportamento.

e) A partir do próximo mês, debitaremos o valor de 5 euros na falta de devolução das toalhas do ginásio.

f) As máscaras dos alunos deverão ser o mais criativas possíveis e feitas com materiais reciclados.

27 janeiro 2010

Desafio de pontuação


Das cinco frases que se seguem, apenas uma está integralmente correcta, no que respeita ao uso da pontuação. Qual é?


1 – Os jogos estimulam diversas capacidades tais como, a memória, o raciocínio, a destreza verbal, a rapidez de reacção e a socialização.
2 – A sociedade nos nossos dias, tende a favorecer cada vez mais as camadas jovens da população.
3 – O cérebro humano tem sido descrito como a estrutura mais complexa do universo, este encontra-se dividido em dois hemisférios sendo cada um deles responsável por deteminadas faculdades.
4 – Os alpinistas que já tinham escalado aquela montanha não usaram a velha ponte de madeira.
5 – Os alpinistas que já tinham escalado aquela montanha, não usaram a velha ponte de madeira.

10 setembro 2009

Ponto, vírgula e acento

Mais uma vez, a foto não serve para criticar gratuitamente os outros, mas apenas de pretexto para esclarecer quem queira ser esclarecido sobre aspectos relacionados com o uso da língua - neste caso, com a acentuação e a pontuação.
Aqui, houve a preocupação de colocar um vírgula... mas erradamente, pois interpõe-se entre o predicado («agradecemos») e o complemento directo («que avance»...). No entanto, foi esquecido o ponto (ou vírgula) a separar a oração principal (que termina em «abastecer») da interjeição de agradecimento («obrigado»), bem como o ponto final após essa interjeição.
Ora, isto acontece frequentemente: textos que pecam pelo uso acrítico e incoerente da pontuação. E o que é que isso importa? - Perguntarão alguns. Nada, talvez, para muita gente. Mas se queremos exprimir-nos com correcção e rigor, a pontuação não deve ser descurada.
Por outro lado, há aqui mais um esquecimento: o nome «veículo» leva acento agudo, por ser palavra esdrúxula (a tónica recai na antepenúltima sílaba: VE-Í-CU-LO), e assim se distingue da forma verbal (eu) veiculo, que é grave (isto é, acentuada na penúltima sílaba: VE-I-CU-LO). Trata-se, também, de uma falha frequente nos textos escritos: acentos a menos... por vezes (embora não seja aqui o caso) alternados com acentos a mais!

19 junho 2009

Vírgula intrusa

Não é um ditado popular, mas podia ser. Qualquer coisa como "se há vírgula entre sujeito e predicado, já está o caldo entornado." Ou "entre predicado e sujeito não se mete vírgula a eito"...

Não tenho dúvidas de que quase todos os leitores deste blogue ouviram as suas professoras (porque eram quase sempre "elas") dizerem, na escola, que nunca se deve pôr vírgula entre o sujeito e o predicado - sendo este dos poucos critérios que regem o emprego da vírgula (para não dizer o único) do qual têm consciência.
Então, por que razão ainda acontece tanto colocar-se errada e involuntariamente a vírgula entre o sujeito e o predicado? Ora, decorar a regra é simples, mas conseguir identificar o sujeito e o predicado em todas as orações é muito mais difícil...
Num certo cartaz que ainda se vê hoje pelas ruas está escrito, por exemplo, que «Abstenção, não é solução». É caso para dizer que está o caldo entornado - no que toca à pontuação, claro. Porque nada tenho contra a ideia expressa na frase!

26 novembro 2008

A importância dos dois pontos



- Filho, o que fizeste aos iogurtes que eu te comprei ontem?
- Deitei fora...
- O quê?! Mas a que propósito?
- Então... Já não podia comê-los!
- O que é que estás a dizer?! Mas que disparate! Explica-te lá!
- Então: eu olhei para a tampa, não consegui evitar. E só depois é que reparei que a embalagem dizia "CONSUMIR ANTES DE VER TAMPA"!

05 setembro 2008

Vírgulas II

Entre orações, a vírgula deve usar-se para:

a) separar orações coordenadas assindéticas (sem conjunções a ligá-las)

“E pelos vistos foi essa tal de Glória que o provocou, disso não tenho dúvidas.“ (BG)

b) separar orações coordenadas sindéticas (com conjunções a ligá-las), excepto as introduzidas por e

“Você falou em matar o homem, mas aí é que tudo se complica, porque não se trata de um homem qualquer.” (BG)

c) isolar uma oração intercalada (inseridas entre os elementos de outra oração)

“Não sou perito em arte e antiguidades, mas aquela peça, caso fosse verdadeira, era de certeza dos finais do Século XVIII e valeria uma pequena fortuna.” (BG)

d) separar orações subordinadas, com excepção das integrantes*

“Mal entrei em casa, o telefone tocou.” (BG)

e) isolar as orações relativas explicativas (as que fornecem informação suplementar, que pode ser omitida da frase)

O seu último artigo, cujo título é “Forças Armadas — Do haver ao Existir”, parece-me muito interessante.

f) para separar as orações reduzidas:

- gerundivas

“Pôs fim aos privilégios das farmácias, abrindo o negócio à concorrência.” (PE)

- infinitivas

“As perdizes chegaram, a fumegar.” (CPM, p.92)

- participiais

“Agarrado às suas câmaras e ao seu vetusto ampliador, fazia maravilhas.” (E)


* É o caso de que e se, quando estas conjunções introduzem o sujeito ou complemento de verbo. por exemplo nas frases Ele perguntou-nos se iríamos votar, Que votar é um dever já eu sei e Nós respondemos-lhe que sim. Nestes casos, não é correcto usar vírgula para separar as orações.

Nota

Os exemplos entre aspas foram retirados dos seguintes textos de Costa Monteiro:

BG – “Beijar a Glória” (conto não publicado)

CPM – Caminhos Perdidos na Madrugada (Lisboa, Editorial Escritor, 1999)

E – “Encontro” (conto não publicado)

PE – “Presente envenenado” (www.deprofundis.blogs.sapo.pt)


01 setembro 2008

Vírgulas I


Durante as férias, um dos nossos leitores pediu-nos que abordássemos as regras para o emprego da vírgula. Esperamos que este texto seja suficientemente esclarecedor. Se não for, já sabem o que fazer...!


As vírgulas, ao contrário do que muita gente pensa, não servem simplesmente para marcar na escrita as pausas curtas do discurso oral. Se assim fosse, seria correcto colocar uma vírgula entre o sujeito e o predicado de uma frase, o que quase toda a gente sabe que não se deve fazer!

Ora, o uso da vírgula deve ser criterioso, tanto no interior das orações como na ligação entre estas, nas frases complexas.


No interior de orações, a vírgula serve para:

a) separar elementos que têm a mesma função sintáctica (elementos de uma enumeração)

“Os edifícios do quartel, casernas, refeitório, cantina, campos de jogos e outras dependências (...) foram sendo construídos a pouco e pouco (...).” (CPM, p.10)

b) isolar o aposto explicativo (grupo nominal ou adjectival que fornece informação adicional sobre um nome)

”Arthur foi sempre um sahib, filho de sahib, acima de qualquer casta indiana.” (CPM, p.37)

c) isolar o vocativo (palavra ou expressão que usamos para interpelar alguém)

“Cometemos um pequeno erro, rapaz.” (BG)

d) separar palavras repetidas, por uma questão de ênfase

“A mulher falava, falava, falava...” (CPM, p.25)

e) separar o adjunto adverbial, sobretudo quando antecipado

“Como de costume, em casa do pequeno Carlos o almoço decorria em silêncio.” (D)

f) separar o nome do local dos elementos de uma data

“Cascais, 2 de Outubro de 1974.” (CPM, p.183)

g) indicar a supressão do verbo, no meio de uma oração

“Galinha, só em datas festivas.” (D)

h) isolar uma expressão explicativa

Os macacos são omnívoros, isto é, alimentam-se de vegetais e animais.

Nota

Os exemplos entre aspas foram retirados dos seguintes textos de Costa Monteiro:

BG – “Beijar a Glória” (conto não publicado)

CPM – Caminhos Perdidos na Madrugada (Lisboa, Editorial Escritor, 1999)

D – “O Desgraçado” (www.deprofundis.blogs.sapo.pt)

28 novembro 2007

A vírgula e a sintaxe – amigas inseparáveis

Sabiam que as vírgulas podem alterar a sintaxe de uma frase?

Observem os exemplos seguintes, que diferem apenas na presença/ausência de vírgulas:

(1) O irmão da Ana que mora em Paris não vem ao casamento.
(2) O irmão da Ana, que mora em Paris, não vem ao casamento.

Pois bem, a presença ou ausência de vírgulas dá origem a orações diferentes.
No exemplo (1), a oração “que mora em Paris” é uma relativa restritiva, que restringe o âmbito do nome “irmão”, ou seja, indica-nos que só o irmão que mora em Paris é que não vem ao casamento (e dá-nos a ideia de que a Ana tem mais irmãos para além desse).
Se omitíssemos a oração relativa “que mora em Paris”, o sentido da frase seria alterado:
“O irmão da Ana não vem ao casamento” (esta frase tem um significado diferente de “o irmão da Ana que mora em Paris não vem ao casamento").

Na frase (2), “que mora em Paris” é uma oração relativa explicativa, a qual nos dá apenas uma informação adicional, acessória, pelo que a sua omissão não altera o sentido global da frase: o irmão da Ana não vem ao casamento (ela só tem um irmão).

E termino com um desafio: por que razão os exemplos (3) e (4), SEM VÍRGULAS, são agramaticais (i.e. incorrectos do ponto de vista sintáctico-semântico)?

(3) * Os linces que são mamíferos estão em vias de extinção.
(4) * Steven Spielberg que realizou o “Parque Jurássico” ganhou celebridade mundial.

05 novembro 2007

Cuidado com a vírgula!

Há tempos, havia por Lisboa cartazes que sensibilizavam a população para a necessidade de reciclar as pilhas. O texto, destacado no meio de um fundo verde, era simplesmente assim:

NO LIXO, NÃO

NO PILHÃO.

Repararam como a vírgula, aliada à falta de pontuação logo após o advérbio não, compromete o sentido da frase?

É que, em muitos casos, a vírgula serve para separar orações. Assim, e sabendo que a linguagem publicitária é muitas vezes elíptica, podíamos perfeitamente interpretá-la da seguinte forma:

1ª oração – uma imperativa, com omissão do verbo e do objecto directo: “[deitem as pilhas] no lixo,”

2ª oração – outra imperativa, com as mesmas omissões: “não [as deitem] no pilhão”.

Ou seja: Deitem-nas no lixo [e] não no pilhão!

Resultado: veiculava-se, ali, exactamente o oposto do que se pretendia!