Registos ou níveis de língua
Ingredientes: muitos erros, bastantes dúvidas e uma mão-cheia de reflexões. Juntam-se esclarecimentos, correcções e sugestões em quantidade generosa. Tudo polvilhado com bom humor. Porque queremos partilhar a nossa maneira de saborear a língua!
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S. Leite
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17:59
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Palavras-chave: comunicação , estilo , expressões , oralidade
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S. Leite
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19:01
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Palavras-chave: construção frásica , estilo , léxico

A tradução literal é uma forma de ignorância? Às vezes, parece.
Se não é por ignorância, como se explica que chamemos agora "palavras-passe" (passwords) às senhas de outrora, "condicionadores" (conditioners) aos amaciadores de há anos, "estacionário" (stationery) ao material de escrita de antigamente, e até, por vezes, "rudes" (rude) às pessoas simplesmente mal-educadas?
Se não tivermos cuidado, qualquer dia teremos de nos referir aos conservantes como "preservativos" e à prisão de ventre como "constipação". Sim, meus amigos, porque, em inglês, é isso que significam preservatives e constipation, respectivamente!...
Então, não acham melhor sermos mais criteriosos na forma como tratamos a nossa língua?!
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S. Leite
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14:18
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Palavras-chave: divagações , estilo , estrangeirismos , palavras
Há uma empresa que, no respectivo portal na Internet, se diz “cem por cento portuguesa”, intitulando-se “Broker de serviços”. Afirma que a sua equipa tem “elevado know-how”, faz “tratamento de mailing”, “impressão de newsletters e flyers”, e também “drop-mail”. Oferece ainda serviços de “design”, “webdesign” e “re-design”. Tem especialistas em áreas como “news” e “lifestyle” e oferece-se para “produzir o seu título, dirigido ao mercado geral ou especificamente ao target da sua empresa”, nomeadamente através de “custom publishing”.
Vai ao ponto de desenvolver “sites com base em serviços especializados de webdesigner´s e webengenier´s [sic]”. Transforma “conteúdos em webcontends [sic]” e, finalmente, produz “meios e técnicas de marketing”, e “divulgação de produtos e serviços na Internet, tais como white paper´s [sic], newsletters, banner [sic], entre outros”.
Quer isto dizer que as pessoas responsáveis por essa empresa tão portuguesa, além de abusarem de anglicismos, nem sabem escrever alguns deles. Shame on them!
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S. Leite
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08:58
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Palavras-chave: estilo , estrangeirismos
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S. Leite
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16:51
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Palavras-chave: estilo , estrangeirismos , palavras
A propósito desta frase do Rio das Flores de Miguel Sousa Tavares...
«Fora a excelência da comida e do vinho, o almoço foi um bocado sorumbático.»
...fico a pensar se não será exagero considerarem que o autor escreve "como um Eça de Queirós". Não me parece nada bem ali aquele "bocado", que é, a meu ver, um plebeísmo, nem gosto do adjectivo sorumbático, que me lembra as "parteleiras" e os "tiosques". Eu explico.
Numa ocasião em que várias pessoas falavam com saudade do seu grande mestre Rómulo de Carvalho, ouvi dizer que ele era bastante rigoroso no uso da língua e que criticava imediatamente aqueles que ouvia cometerem erros de português. Soube então que, antes de um exame, ele perguntou a um aluno se havia estudado muito. O rapaz respondeu, receoso: «um bocado...» Então, Rómulo de Carvalho corrigiu: «bocado é o que se põe na boca. Mas vamos lá ver então o que tu sabes...»
O vocábulo sorumbático, por seu turno, é de origem obscura, mas pensa-se que está relacionado com o substantivo sombra e há dicionários que o apresentam como uma corruptela de sombrático.
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S. Leite
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10:45
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