Mostrar mensagens com a etiqueta nomes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta nomes. Mostrar todas as mensagens

14 maio 2023

A grafia de lilás e lilases


O nome lilás vem do árabe lilak, que significa «azulado». Chegou até nós por via da língua francesa, através da palavra lilas. Em português, escreve-se com s, portanto. 

O plural é lilases, sem acento agudo, pois deixa de ser necessário marcar a vogal tónica, como acontece no singular. Isto porque se acentuam graficamente, em português, as palavras agudas (com tónica na última sílaba) terminadas em -a(s), mas não as palavras graves (com tónica na penúltima sílaba) terminadas em -e(s). Estas regras ortográficas aplicam-se igualmente ao adjetivo que designa algo de cor arroxeada, entre o rosa e o violeta.

Assim, escreva-se, sempre:

singular - lilás

plural - lilases



23 maio 2022

Conselheira é o feminino legítimo de conselheiro!



Não acham ridículo que o Word for Windows nos ofereça uma advertência gramatical tão desadequada?

Em vez de aceitar a flexão do nome conselheiro no feminino, considera que a expressão "fiel conselheira" está errada porque o adjetivo deve concordar com o nome! Ora, o adjetivo fiel é invariável, pelo que tanto se pode aplicar a conselheiro como a conselheira. 

O que o corretor não aceita, obviamente, é que haja conselheiras... daí que nos proponha, como forma correta da expressão, "fiel conselheiro". Mas, como não existe uma justificação gramatical para tal correção, oferece uma razão absurda para justificar o sexismo! Inaceitável...



 

30 março 2022

Perseverança e não "preserverança"

O norte-americano Samuel Adams (representado na estátua de bronze que se vê na fotografia, da autoria da escultora Anne Whitney) ficou para a história, em virtude da sua perseverança patriótica e revolucionária contra as imposições da coroa britânica, em 1770.

Perseverança, sublinhemos, pois muita gente comete o erro de dizer e escrever "preserverança".

Todavia, não censuremos quem se engana! É um fenómeno natural e recorrente no uso da língua pronunciar certas palavras menos familiares (e depois grafá-las) com base numa relação analógica com outras, mais conhecidas.

Assim se explicará, talvez, que o esparguete tenha assumido aquele <r> no fim da segunda sílaba: os falantes terão pensado que o termo tem afinidade com o vocábulo espargo... Afinal,  este tipo de massa tem uma forma semelhante (cilíndrica, comprida e fina) e a terminação "-ete" faz lembrar um sufixo de grau diminutivo. Assim, do spaghetti tornado espaguete (como ainda se diz e escreve no Brasil), passámos ao esparguete, variante inicialmente condenada como uma corruptela, mas hoje perfeitamente aceite em Portugal. É que o erro ou desvio linguístico, muitas vezes, acaba consagrado pelo uso.

No caso de "perseverança", porém, isso ainda não aconteceu. Essa grafia ainda não foi legitimada pelos dicionários. O nome perseverança vem do latim perseverantĭa- e não está relacionado com o verbo preservar (essa associação é, provavelmente, a causa do erro), mas antes com o verbo perseverar, que é persistir, manter-se firme.

Não sejamos, pois, perseverantes no erro! Pelo menos, enquanto este não se legitima...




23 julho 2021

Concordância com a conjunção "ou"

 


Confirmei hoje, pela enésima vez, que a palavra "arguência" não está atestada, apesar de ser muito usada em vez de arguição, que é o termo correto.

Porém, o motivo que me leva a partilhar convosco esta informação, disponibilizada na Infopédia, é a instrução fornecida na página: «Verifique se a palavra ou expressão introduzidas estão bem escritas e pesquise novamente».

É que a conjunção ou pressupõe que os termos se excluem mutuamente (neste caso, só se verifica uma possibilidade, entre duas: a) o utilizador digitou uma palavra; b) o utilizador digitou uma expressão). 

Logo, o plural que é usado em seguida está em discordância com esse sujeito singular: o adjetivo participial introduzidas  e o predicado estão bem escritas implicam que o utilizador teclou, afinal, uma palavra e uma expressão. Mas não é isso que indica a conjunção ou, nem o plural faria sentido no contexto de uma pesquisa deste tipo.

Portanto, corrija-se a instrução para: Verifique se a palavra ou expressão introduzida está bem escrita e pesquise novamente.



15 novembro 2020

Ele foi júri ou foi jurado?

 "Gostaria muito que fosses júri da minha prova"... "Já fui júri num concurso"...

Este tipo de frase ouve-se com alguma frequência e todos percebemos a ideia: que as pessoas em causa fazem parte de um júri.

No entanto, a palavra júri designa um conjunto de pessoas que julgam uma causa (num tribunal), ou que avaliam o mérito de um desempenho, trabalho, obra, etc. (num concurso ou numa prova de avaliação). Logo, uma dessas pessoas não constitui o júri, apenas faz parte desse júri.

 Portanto, quando nos referirmos a alguém que faz parte de um júri, devemos dizer que é um jurado (que significa "membro de um júri"). Em alternativa, naturalmente, podemos dizer que essa pessoa integra o júri, ou faz parte do júri, mas nunca devemos dizer que alguém é, foi ou será "júri".

08 novembro 2020

Estasiado ou extasiado?

 Para quem pensava que só existia uma palavra e, por conseguinte, uma grafia possível, aqui fica o esclarecimento:

estasiado - segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, significa «que tem muita sede, sedento, sequioso», mas também «ressequido, seco». O exemplo que este dicionário fornece é "solo estasiado". A origem desta palavra, ao que parece, é obscura. (Aliás, pode gerar confusão a ideia de que este adjetivo tem relação com o nome estase, de origem grega, cujo sentido se prende com a fixidez - com o que é estático - e com o ato de pôr de pé). 

extasiado - este adjetivo, por seu turno, consiste no particípio passado do verbo extasiar e significa «que se extasiou, enlevado, arrebatado, encantado». Morfologicamente, é composto pelo nome êxtase, pelo sufixo verbal -ar e pelo sufixo flexional -do.

Portanto, o rapazinho da foto ficou extasiado quando viu o bolo de aniversário que a mãe fez para ele. E, como ele não quis que ninguém o comesse, para que não fosse destruído, o bolo acabou por ficar estasiado, ao fim de uns meses... 😅

11 outubro 2016

Contingentação existe?!

Claro que sim!

Soa mal? Soa. É difícil de pronunciar? Sim? Parece uma palavra inventada à pressa? Parece.
Mas existe. Por duas boas razões.
A primeira, e mais óbvia, é o facto de se tratar de um vocábulo atestado nos dicionários. Se foi consagrado é porque os lexicógrafos entenderam que se justificava. E quem somos nós para dizer que não se justifica?
A segunda boa razão é o facto de a palavra estar bem formada, isto é, apresentar uma estrutura interna que se coaduna com as regras da nossa língua, concretamente as que se referem à inovação lexical por meio da derivação. Explico:
O adjetivo contingente dá origem ao verbo contingentar - tal como o adjetivo (im)paciente permitiu a formação do verbo (im)pacientar, através da adição do sufixo verbal -ar.
Em seguida, o verbo contingentar dá origem ao nome (ou substantivo) contingentação, do mesmo modo que conspirar permitiu formar a conspiração, por meio do sufixo nominal -ção.

Portanto, e da próxima vez que ouvirmos uma palavra que soa mal e pensamos que não pode existir, talvez seja melhor relativizar: pode não existir... mas também pode existir!