Quando eu era pequena,
só queria era brincar.
Livros, achava-os bonitos...
mas não traziam bonecas,
nem kalkitos,
nem folhas para desenhar!
Quando me davam livros,
nos anos ou no Natal,
Abria-os, folheava-os,
tinham bonecos engraçados,
cores giras, e tal...
Mas ver filmes e desenhos animados
É que era divertido!
E, no fundo, eu era normal.
Depois, veio a adolescência...
essa altura em que “não há paciência”!
Porque nos obrigam a ler
aquelas obras literárias...
livros grandes, escritos há muito,
e sobre os quais é preciso saber tanto,
que deixam de dar prazer.
Quando fui para a faculdade,
escolhi letras, é verdade,
talvez (que vergonha!)
para fugir à matemática,
para fazer ronha... enfim,
mas também porque gostava de escrever.
Foi então que mergulhei,
sem saber, no mundo dos livros a valer!
Descobri tantas coisas,
aprendi tanto, sonhei, senti, acreditei...
eu sei lá!
Foi incrível, o que as palavras,
as simples letras,
puras manchas pretas no papel,
fizeram na minha cabeça!
Eu criei mundos e mais mundos,
fui autores, narradores e personagens,
tudo o que li
aconteceu dentro de mim:
com magia, com leveza,
e com a beleza das miragens.
Realmente, há livros tão interessantes
que, quando levantamos os olhos,
das suas páginas
parece que nada fica como antes!
Os livros dão-nos bagagem,
dão uma grande vantagem.
Uma pessoa que lê,
se alguma vez se sentir à margem,
não é por falta de saber,
é porque, na leitura de cada livro,
fez uma grande viagem
e ficou diferente:
mais culta, mais consciente.
E apesar de já ser adulta,
Eu sei, quando estou a ler,
que ainda posso crescer.
Melhor: sei que posso viver
outras vidas, além da minha!
E basta-me ter um livro
para nunca me sentir sozinha.
Há quem diga que somos
o que queremos,
que somos o que fazemos
E o que comemos também.
Pois eu digo que, em boa parte,
Nós somos o que lemos.
E ler também é uma arte,
um desporto – porque não? –
que a todos pode fazer bem.
Ler é saber, é poder,
uma forma profunda de ver
e é meio caminho andado
para melhor escrever
e melhor pensar.
Podia ser um ditado:
Quem lê, depressa ou devagar,
a algum lado há-de chegar.
S. Leite
Nota: este poema é apenas ligeiramente autobiográfico!