31 março 2011

Certo ou errado?


Há dias, na televisão (não interessa o canal), um entrevistado (pouco importa quem) disse uma frase que fixei e que aqui reformulo, com ligeiras alterações, porque me parece boa para um pequeno desafio:

Há uma série de medidas importantes que são precisas tomar o mais depressa possível.

Considerariam certa ou errada esta construção? E porquê?

28 março 2011

A palavra mais comprida do dicionário de língua portuguesa

Alguém sabe qual é? (Não vale dizer arroz, por começar em A e acabar em Z!)

Tem 46 letras e encontra-se atestada no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa...

24 março 2011

"Há dois anos" = "Dois anos atrás"


Apetece-me começar este texto por "penso eu de que..."
É que vou apenas expressar a minha opinião e não quero ferir a susceptibilidade de quem tenha outra, pois esta é uma daquelas construções tão em voga nos nossos dias, que se torna quase ofensivo dizer a quem a usa que está a cometer um erro. Até porque, como se sabe, no que toca à gramática das línguas vivas, como a nossa, a noção de erro não é a mais adequada para falar daquilo a que mais prudentemente se costuma chamar de mudança linguística.
Gostaria, para ser franca, que me acompanhassem no raciocínio que vou expor e que depois decidissem concordar ou discordar da minha posição sobre este assunto. Ora aí vai:

O verbo haver serve, como o verbo fazer, para nos referirmos ao passado. Assim, são sinónimas as frases "Foi há dez anos que lá fomos" e "Faz dez anos que lá fomos". Deste modo, tal como é desnecessário o uso da preposição atrás na segunda frase ("Faz dez anos atrás que lá fomos"), ela também não faz falta na primeira ("Foi há dez anos atrás que lá fomos").
Então, por que motivo se começou a usar essa preposição com o verbo haver, sempre que se fala de tempo? Quanto a mim, há dois motivos principais: por um lado, porque a forma verbal "há" também significa "existe/existem" e, para evitar ambiguidade e mal entendidos, o uso de "atrás" garante que se fala de tempo decorrido. Eis um exemplo: Há dois dias que não contam. Esta frase pode significar "faz dois dias que [eles ou elas, alguém plural de quem se fala] não contam"; ou "existem dois dias [na semana, por hipótese] que não são considerados".
Por isso,  tendemos a dizer "Há duas horas atrás..." para enfatizar o facto de estarmos a referir-nos a qualquer coisa que aconteceu duas horas antes ou atrás (e não a "duas horas que existem").
E isto leva-nos ao segundo motivo: é que a preposição atrás serve, realmente, para indicar a anterioridade no tempo. Por isso ela pode ser usada em vez (como equivalente) do verbo haver (Daí a tendência para misturar tudo, que é uma espécie de tautologia, como dizer "elo de ligação" ou "outra alternativa").
Aliás, atrás é mesmo aconselhável quando usamos o discurso indirecto, para substituir o verbo haver, se não o quisermos conjugar noutro tempo, que não o presente. Repare-se na transição do discurso directo para o indirecto neste exemplo:

DISCURSO DIRECTO: "- O que fizeram três meses? - Perguntou."
DISCURSO INDIRECTO: Ele perguntou o que tinham feito três meses atrás.

Em alternativa, poder-se-ia manter o uso do verbo haver, mas conjugado no pretérito imperfeito (coisa que muita gente não se lembra de fazer, mantendo haver no presente):

DISCURSO DIRECTO: "- O que fizeram três meses? - Perguntou."
DISCURSO INDIRECTO 1 : Ele perguntou o que tinham feito havia três meses.
DISCURSO INDIRECTO 2: Ele perguntou o que tinham feito três meses.

Ora, esta última frase (2), com o verbo haver no presente, só se justifica quando o momento em que se concretiza o discurso indirecto é próximo, no tempo, do momento de enunciação do discurso directo (se os "três meses atrás" forem os mesmos para quem falou primeiro e para quem ouve o discurso indirecto).

Concluindo: "há" não precisa de "atrás" para nada, quando falamos do passado. Mas "atrás" serve para substituir "há", quando "há" deveria ser "havia". A explicação que ficou para trás é confusa e provavelmente desnecessária... perdoem-me. A intenção era boa!




23 março 2011

"Há dois anos atrás"?

Será aconselhável ou desaconselhável esta construção ("há... atrás")?